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Para quem tem um bom dinheiro no banco e quer gastar só o que render de juros, sem reduzir o principal, segue uma dica fantástica: aplique em NTN-B, um título do Tesouro Direto.

Por quê?

Porque a NTN-B paga juros em dinheiro, semestralmente, e ainda por cima corrige o seu patrimônio pela inflação.

Depois que você compra os papéis, a cada seis meses vai pingar um valor na sua conta bancária. E assim vai até a data de vencimento do título, quando você recebe de volta todo o valor investido, corrigido pelo IPCA, o índice oficial de inflação.

Exemplo:

  • A NTN-B com vencimento em 2026 está pagando juros de 5,28% ao ano
  • Se você investir R$ 100 mil nesse papel, receberá cerca de R$ 5 mil por ano
  • Cairão na sua conta em torno de R$ 2.500 a cada seis meses
  • Em 2026 você receberá de volta os R$ 100 mil investidos, corrigidos pelo IPCA

Só para deixar claro: esses 5,28% ao ano são acima da inflação. O seu título terá correção pelo IPCA e, além disso, você receberá, limpos, algo em torno de R$ 2.500 por semestre, para gastar à vontade sem reduzir o patrimônio.

Vale dizer também que o IR dos títulos públicos é sempre retido na fonte e segue a tabela regressiva, cuja alíquota começa em 22,5% e vai caindo até 15%, conforme o tempo que o dinheiro fica aplicado.

Para aplicar e esquecer

A NTN-B é uma forma muito prática de manter o patrimônio e gastar só os juros. Sim, porque dessa forma você não precisa fazer conta. É só colocar o dinheiro lá e esperar caírem os juros semestrais (os “cupons”, como são chamados). 

Caso você invista por meio de um fundo ou de um robo-advisor (ferramenta que escolhe as aplicações para você), terá mais trabalho.

Como você vai saber quanto poderá gastar por mês? Não adianta só olhar quanto o dinheiro rendeu no mês anterior. É preciso descontar a inflação.

Sim, porque se você gastar todo o rendimento, aos poucos o seu patrimônio vai sendo corroído pela inflação.

Se escolher outras aplicações, cuidado com a inflação

Digamos que você invista R$ 100 mil em um fundo, e daqui a um mês ele renda 1% – portanto, R$ 1.000.

Vamos dizer que a inflação no mesmo mês fique em 0,5%. Se você gastar os R$ 1.000, continuará com um patrimônio de R$ 100 mil, mas esse valor terá um poder de compra ligeiramente menor.

Caso faça isso sempre, em poucos anos ou talvez em meses você vai ver que os R$ 1.000 mensais já não são capazes de comprar as mesmas coisas.

Observação 1

Estou dizendo que a NTN-B é melhor do que qualquer fundo ou robo-advisor, em qualquer situação? Claro que não! O que digo é que, para quem tem esse objetivo específico, de gastar só os juros e manter o patrimônio, esta é a opção mais prática, e tem excelente rentabilidade.

Observação 2

Essa dica só vale se você tem certeza de que não vai precisar gastar o dinheiro antes da data de vencimento do título. Se comprou o papel que vence em 2026, aguarde até lá.

Caso queira recuperar o dinheiro antes, você terá que vender o título. Aí é uma questão de mercado. Pode ser que você consiga vender por um valor alto e ganhar até mais do que estava prevendo, ou pode ser que não consiga, e então tenha que resgatar um patrimônio menor que o previsto.

Observação 3

Não confundir a NTN-B com a NTN-B Principal. A palavra “Principal” faz toda a diferença.

Quando tem “Principal” no nome, o papel não paga juros semestrais. Os juros são pagos somente na data de vencimento. Se você comprar a NTN-B Principal 2024, receberá os juros todos, acumulados, no ano de 2024.

Como investir em NTN-B?

Para comprar qualquer título do Tesouro Direto é preciso procurar uma corretora. Todos os grandes conglomerados financeiros do Brasil têm uma corretora. Então o seu gerente pode explicar os trâmites e informar os custos.

Porém, você não precisa usar a corretora do seu banco. Esta tabela, do site oficial do Tesouro Direto, informa quanto cada uma delas cobra- e várias têm taxa zero (clique para ver)

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.