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Um leitor do Dinheiro pra Viver enviou a seguinte pergunta:

“Como distribuir os investimentos de forma a minimizar o risco? Tenho como objetivo a manutenção de um patrimônio de R$ 500 mil para transferir aos meus filhos daqui a sete anos.”

Veja a resposta do economista Gustavo Corradi, sócio da BankRio*

De maneira geral a melhor forma de minimizar os riscos no momento de investir é diversificar os investimentos.

A diversificação é ponto chave para preservação e crescimento de patrimônio.

Mas onde investir para diversificar?

Há muitas possibilidades de investimento. Basicamente, podemos dividir em algumas categorias: renda fixa, renda variável e imóveis.

Renda fixa

Quanto aos investimentos de renda fixa, há uma grande variedade de produtos.

Os mais comuns são Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito Agrícola (LCA), Tesouro Direto, fundos de investimento de renda fixa e outros títulos emitidos por empresas não financeiras, como as debêntures.

Se você investir os R$ 500 mil nos títulos abaixo, veja o rendimento estimado:

Aplicando R$ 500 mil em..A rentabilidade ao ano tende a ser de...E após 7 anos você deve ter cerca de...
Tesouro Selic (LFT)12,20%R$1.119.232
NTN B Principal 202410,87%R$1.029.600
CDB BTG Pactual 110,5%13,40%R$1.205.761

Tesouro Selic e NTN-B Principal 2024 são títulos do Tesouro Direto. O Tesouro Selic, especificamente, deve ter uma rentabilidade bruta de 12,2% ao ano nos próximos anos, segundo projeção da Yubb.

Com isso, se você aplicar R$ 500 mil nesse papel, poderá ter cerca de R$ 1,119 milhão daqui a sete anos, sem descontar a inflação.

Já com um CDB do banco BTG Pactual, que hoje está pagando 110,5% do CDI, você tende a ganhar cerca de R$ 75 mil a mais.

Porém, vale dizer que o CDB, a LCI e a LCA são títulos privados e, portanto, mais arriscados que o Tesouro.

Se o banco emissor do papel der calote, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) lhe paga até R$ 250 mil. Caso tenha aplicado mais do que isso, e o banco for à falência, você perderá a parte que exceder esse valor.

Renda variável

Primeiramente, é muito importante o investidor definir seu perfil de risco. A renda variável como o próprio nome já diz, tem muito mais oscilações do que o investimento em renda fixa e exige maior conhecimento e calma do investidor.

Entre as alternativas, o investidor pode comprar diretamente um ativo (uma ação na Bolsa, por exemplo), aplicar em fundos de investimento (podendo ser fundos de ações ou multimercado) ou investir em produtos estruturados, como os Certificados de Operações Estruturadas (COE), que são ideais para clientes que querem se expor a renda variável com risco limitado.

Veja no gráfico abaixo como o Ibovespa oscilou nos últimos anos.

Gráfico do Ibovespa histórico

Repare que esse indicador hoje está praticamente no mesmo nível que no início de 2010. Isso quer dizer que se você tivesse investido os R$ 500 mil no Ibovespa há exatos sete anos, seu rendimento acumulado até hoje teria sido nulo. Ou seja, você teria perdido dinheiro, já que a inflação teria corroído o poder de compra do seu patrimônio.

Não quer dizer que você não deva comprar ações, e sim que, se quer manter o patrimônio, precisa ter ciência desse risco.

Imóveis

É comum na cultura do brasileiro investir em imóveis. Contudo é importante o investidor calcular os gastos antes de comprar o imóvel. Além disso, se a ideia for alugar o imóvel para receber uma renda extra, é importante o investidor ter em mente que geralmente o aluguel de um imóvel gira em torno de 0,5% a 0,7% do valor do imóvel ao mês, o que dá de 6% a 9% ao ano. Ou seja, hoje (17/03/2017), com uma taxa de juros de 12,25% ao ano, as aplicações financeiras estão com retornos superiores aos aluguéis dos imóveis.

Outro fator importante é a falta de liquidez dos imóveis, isto é, se você precisar do dinheiro, pode demorar meses para conseguir vender uma casa ou apartamento.

Em virtude desse inconveniente o investidor pode aplicar em fundos imobiliários. Nesses fundos o investidor é possível ganhar dinheiro com o aluguel dos imóveis e ainda assim ter uma boa liquidez.

Concluindo, você precisa decidir o quanto está disposto a correr riscos. Como o objetivo é manter o patrimônio por sete anos, e não aumentá-lo, é provável que você esteja mais inclinado a manter as aplicações em renda fixa, que têm risco mais baixo.

* Gustavo Corradi Matos é assessor de investimento, sócio da BankRio, escritório de Investimento filiado a XP Investimento. Ele é economista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (ver LinkedIn).

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.