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Um leitor do Dinheiro pra Viver perguntou:

“Trabalho como autônomo e não consigo reunir uma renda fixa todo mês que me ajude a pagar aluguel de um lugar para morar.

Tem meses que são bons e outros que mal pago as contas. Trabalho como autônomo há pouco tempo, pós-crise, e ainda estou aprendendo como lidar com essa instabilidade. Sou fotógrafo.

Qual o melhor investimento para mim? Vale destacar que já uso poupança e não tenho tido bons resultados.”

Resposta*:

Como você disse, sua renda mensal é instável pelo fato de você ser profissional autônomo. Todos nós precisamos de reservas de emergência, e quem não tem um salário fixo, mais ainda.

Se na média você está conseguindo ganhar mais do que gasta, sugerimos guardar o dinheiro excedente para fazer uma reserva de emergência.

Para dar tranquilidade, é bom que a reserva seja suficiente para cobrir seis meses sem trabalhar.

Onde investir a reserva de emergência?

A reserva deve ser colocada em alguma aplicação de baixo risco e com liquidez diária (que permite resgatar a qualquer momento).

Por que baixo risco? Porque se é um dinheiro de emergência, você não pode perdê-lo. Por que liquidez diária? Pelo mesmo motivo: se é para emergência, de nada adiantaria ter um CDB que pague 115% do CDI, mas que não permite resgatar no momento em que você precisar.

Nessas condições (baixo risco e alta liquidez), você tem as seguintes possibilidades:

  • Fundos DI ou de renda fixa pós-fixados
  • CDB, LCA ou LCI com liquidez diária
  • O título público chamado Tesouro  Selic, ou LFT (Letra Financeira do Tesouro)
  • Poupança

Como escolher entre essas opções

A poupança, como você disse, não tem dado bons resultados. As vantagens são a praticidade (você pede o resgate e o dinheiro cai imediatamente na sua conta corrente) e a ausência de Imposto de Renda. Mas mesmo sem o IR a poupança tem perdido para várias outras modalidades de renda fixa. 

Os fundos de investimento têm apresentado uma rentabilidade maior. Recomendo dar uma olhada nos fundos pós-fixados que o seu banco oferece. Olhe a rentabilidade dos últimos 12 meses e compare com a poupança.

Como os fundos têm taxa de administração e o Imposto de Renda é regressivo (você paga menos quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado), se você resgatar o dinheiro em menos de seis meses é bem possível que tenha um rendimento menor que a poupança, que por sua vez não tem taxa nem IR. Só que mesmo assim o fundo pode valer a pena, pois se é uma reserva, provavelmente a intenção é manter a aplicação a longo prazo.

Aqui falamos dos fundos pós-fixados. Mas provavelmente você vai ver que alguns fundos de renda fixa renderam acima de 20% no ano passado. Mas esses são os pré-fixados e são mais arriscados. Às vezes eles têm rentabilidade negativa, ou seja, você investe R$ 1.000 e depois resgata R$ 900.

Se o objetivo for dar mais segurança e previsibilidade para as suas finanças – que são instáveis devido à sua atividade como autônomo – o pós-fixado é mais garantido.

O Tesouro Selic, ou LFT (Letras Financeiras do Tesouro), também pode ser uma boa oportunidade para você. Os demais títulos do Tesouro Direto são pré-fixados, então apresentam maior risco. Você pode estimar a rentabilidade da LFT na calculadora do próprio site do Tesouro.

Finalmente, os títulos privados (CDB, LCA e LCI) também valem a pena, desde que tenham liquidez. Para encontrar os melhores, você pode fazer uma pesquisa nos sites Yubb, Poupa Brasil ou Renda Fixa. (Não se esqueça de marcar que você quer liquidez diária e pós-fixado.)

Os títulos privados CDB, LCA e LCI são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Quer dizer, se o banco der calote, o FGC paga o que lhe é devido, desde que o valor não ultrapasse R$ 250 mil. Vale dizer que, em caso de calote, você não recebe o dinheiro na hora, e sim após pelo menos 30 dias.

Depois de comparar os fundos pós-fixados do seu banco, os títulos privados nesses sites indicados e o Tesouro Selic, veja o que prefere.

Os fundos que você encontrar provavelmente vão render um pouco menos do que os títulos públicos e privados. 

A vantagem dos fundos é que deles você consegue resgatar na hora. Com os demais títulos, você pede resgate hoje e o dinheiro só cai na sua conta alguns dias depois. 

Conclusão

Para um profissional autônomo em fase de construir sua reserva de emergência, é recomendável escolher títulos públicos ou privados pós-fixados com liquidez diária, que rendem mais que os fundos e a poupança. Porém, ao menos um pouco (equivalente a um mês de gastos) é bom deixar em um fundo, pois este permite sacar de um dia para o outro ou no mesmo dia, enquanto nos títulos você precisa esperar alguns dias. 


Sílvio Crespo* Sílvio Crespo,
jornalista, cobriu economia e finanças por mais de dez anos em veículos dos grupos Folha e Estado, tendo recebido diversos prêmios, como o Prêmio Estadão de Jornalismo (2010 e 2011) e o Prêmio Case New Holland de Jornalismo Econômico (2013). Tirou a certificação CPA-20 da Anbima em 2009 e tem MBA em Informações Econômico-financeiras pela BM&FBovespa/UBS.

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.