Share on FacebookShare on LinkedIn

Por Sílvio G. Crespo

Talvez você já tenha visto empresas da área financeira anunciando investimentos que rendem 120%, 130% do CDI ou até mais.

É preciso ter cuidado com esses anúncios porque eles enganam o cliente sem exatamente mentir.

Imagine que você pergunta a uma pessoa quantos anos ela tem, e ela responde: “Estou perto dos 40”. Logicamente, você vai pensar que ela tem uns 38 ou 39 anos. Mas depois você descobre que ela tem 42. E aí? Ela mentiu para você?

Tecnicamente, ela não deu nenhuma informação errada; afinal, 42 é um número perto de 40. Mas, por convenção, quando alguém diz que está perto dos 40 a gente entende que a pessoa ainda não alcançou essa idade.

Pois é mais ou menos isso que algumas empresas da área financeira têm feito. Elas ficam a um milímetro da mentira quando dizem que seus produtos renderam 140% do CDI ou mais.

O que significa pagar uma porcentagem do CDI

Normalmente, quando se diz que um CDB, LCA ou LCI pagam, digamos, 100% do CDI, é porque o banco que emitiu um papel de renda fixa promete ao investidor que vai pagar uma porcentagem do CDI. 

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de juros que os bancos cobram quando emprestam dinheiro uns para os outros, por um dia. Se eles dizem que vão pagar 110% do CDI, significa que vão remunerar você em 10% a mais do que eles pagam a outros bancos quando tomam dinheiro emprestado.

Por exemplo, o CDB do Banco Máxima hoje paga 116% do CDI; o do banco Modal rende 114%. Isso significa que essas instituições se comprometem a dar ao investidor essa remuneração. Se não pagarem, estarão dando um calote. Esta forma de divulgar a rentabilidade de um investimento é muito clara e transparente.  

Porém, o que tem acontecido cada vez mais é as empresas anunciarem investimentos de renda variável tomando como base o CDI. Por exemplo, elas dizem: “Nossa carteira rendeu 146% do CDI”. E quando você vai ver, a tal da carteira está cheia de ações ou de outros ativos que não são referenciados ao CDI. 

Por que é preciso ter cuidado?

Ao ver na propaganda que um ativo rendeu 146% do CDI, o investidor tende a achar que essa instituição se compromete a pagar 146% do CDI, assim como os bancos Máxima e Modal se comprometem a remunerar em 116% e 114% do CDI, respectivamente. 

Na verdade, se você olhar nas entrelinhas, verá que não há nenhum compromisso, da instituição ou consultoria, de pagar 146% do CDI caso você invista com ela.

O que ela está mostrando é o resultado de um investimento de renda variável que calhou de render o equivalente a 146% do CDI nos últimos meses, mas que não tinha nenhum compromisso em oferecer esta rentabilidade. Poderia ter tido inclusive um rendimento negativo.


Qual é o problema de divulgar a rentabilidade dessa forma?

O problema é que a empresa de investimento está usando um indicador de renda fixa para analisar um produto de renda variável. Isso confunde a cabeça do investidor.

Você pode pensar: “Por que alguém investiria seu dinheiro em um produto que dá 110% do CDI, se existe esse outro que dá 140%?”.

A resposta é: porque o que dá 110% do CDI é de renda fixa – ou seja, você não vai ganhar mais do que isso, e nem menos. Já o que deu 140% do CDI pode ser que no próximo ano ele renda 5% do CDI, ou mesmo tenha um rendimento negativo.

O que fazer quando um ativo promete mais de 120% do CDI?

Sempre que você vir uma propaganda de um produto de investimento que renda acima de 120% do CDI, veja se é de renda fixa ou renda variável. E se for de renda fixa, confira se o ativo é referenciado ao CDI, ou seja, se ele tem o compromisso de pagar uma porcentagem do CDI. 

Se não tiver, quer dizer que é ruim? Não necessariamente! Quer dizer apenas que ele pode render mais ou menos do que os “x” por cento do CDI anunciados. Esses papéis podem ser bons para você, sim, mas isso depende dos seus objetivos financeiros e da sua disposição a correr riscos.

O que não pode é investir em um papel que não é referenciado ao CDI achando que ele vai garantir uma remuneração de “x” por cento do CDI. Se for entrar na renda variável ou em outros ativos, é bom fazer isso conscientemente, sabendo das vantagens e dos riscos. 

‘Pegadinhas’ do mundo financeiro

São muitas as “informações” no mercado financeiro que fazem as pessoas perderem dinheiro. O site Dinheiro pra Viver tem como objetivo ajudar você a saber fazer as melhores escolhas de acordo com as suas necessidades e objetivos, sem conflito de interesse.

Uma aplicação pode ser a excelente para o seu vizinho e péssima para você. Isso depende dos objetivos, das necessidades e da tolerância a risco de cada um.

Estou formatando um curso justamente para isso. Para capacitar as pessoas a escolherem os investimentos de modo a atingirem seus objetivos financeiros e de vida.

Para ser avisado quando abrirem novas turmas, preencha seus dados no formulário abaixo.

Veja que eu pergunto ali qual é o seu maior desafio para escolher investimentos. Quanto mais você detalhar a sua resposta, melhor eu vou conseguir fazer com que o curso solucione o seu problema.

Então preencha um formulário, e será um prazer encontrar você na próxima turma!


Share on FacebookShare on LinkedIn

Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.