Share on FacebookShare on LinkedIn

O Dinheiro pra Viver entrou na onda e publicou um post com 9 verdades e uma mentira sobre investimentos. Veja agora as respostas!

1.

A maior parte dos títulos do Tesouro Direto superou, em rentabilidade, os melhores fundos de renda fixa das linhas Prime, Personnalité, Estilo e Select.

VERDADE. Fizemos um levantamento e mostramos que os melhores fundos de renda fixa dos grandes bancos, mesmo na linha “premium”, tiveram um rendimento bruto de, no máximo, 25,63% no período de fevereiro de 2016 a janeiro de 2017.

Dos 10 títulos do Tesouro Direto, nada menos do que 7 tiveram uma rentabilidade superior no mesmo período.

Veja o levantamento aqui.

2.

Títulos de capitalização não rendem quase nada (quando rendem) e mesmo assim os brasileiros colocaram mais de R$ 20 bilhões nesses papéis só no ano passado.

VERDADE. Somente no ano passado os brasileiros destinaram R$ 21 bilhões a títulos de capitalização, conforme indica o gráfico abaixo, extraído do site da FenaCap.

Receita dos títulos de capitalização. Fonte: FenaCap

3.

Se a corretora pela qual você investe for à falência, você não perde nenhum centavo do dinheiro investido.

VERDADE. A corretora apenas executa a compra e venda dos ativos em nome do cliente. Uma vez que você compra o ativo (por exemplo, uma ação, um título do Tesouro ou um CDB), ele é seu.

Se a corretora for à falência, os ativos que você comprou continuam sendo seus; eles apenas são transferidos para outra corretora.

Mas dois leitores do blog fizeram uma observação importante: o dinheiro que você já investiu por meio da corretora você não perde, mas se você tinha dinheiro não investido, parado na conta da corretora, esse você pode perder.

Em tese, esse dinheiro está garantido até R$ 120 mil, mas pode dar uma dor de cabeça danada até recuperar.

4.

Os bancos ganham mais quando você investe em um fundo ruim do que quando você compra títulos do Tesouro Direto.

VERDADE. Itaú, Bradesco e Banco do Brasil cobram 0,5% ao ano para administrar o dinheiro investido no Tesouro Direto. Santander e Caixa Econômica Federal cobram 0,4%. Às vezes cobram até menos, dependendo da quantia aplicada.

Já quando você investe em um fundo, é raro encontrar taxas de administração abaixo de 0,5%. Normalmente elas são de 1% ou mais.

E os fundos, sendo bons ou ruins, cobram taxas do mesmo jeito. Aliás, quanto maior a taxa de um fundo de renda fixa, menor tende a ser a sua rentabilidade líquida.

5.

Teve título do Tesouro Direto que rendeu mais de 50% nos últimos 12 meses, já descontado o Imposto de Renda.

VERDADE. O título chamado Tesouro IPCA+ (novo nome da NTN-B Principal), com vencimento em 2035, teve uma rentabilidade bruta de 64,97% no período de março de 2016 a fevereiro de 2017.

Tirando o Imposto de Renda de 17,5% (alíquota para quem mantém o dinheiro aplicado por um ano), a rentabilidade fica em 53,6%.

6.

Existe uma forma de maximizar a chance de comprar ações na baixa e vender na alta, sem precisar entender nada das ações.

VERDADE. Esta forma é o chamado rebalanceamento da carteira. Você coloca, digamos, 30% dos seus investimentos em renda variável, e o resto em renda fixa.

Imagine que as ações subam. O que acontece com a proporção da carteira? A parte de renda variável aumenta para 40%, por exemplo. Mas como você quer ter apenas 30% em renda variável, você vende parte das ações. Dessa forma, você vendeu após elas subirem, ou seja, vendeu na alta.

Agora imagine que a Bolsa caia e as ações, então, passam a corresponder a 20% da sua carteira. O que você faz para que a carteira volte a ter 30% de ações? Ora, compra mais ações. Assim, você vai comprar os papéis depois que eles caíram, ou seja, vai comprar na baixa.

Veja que esta é uma forma de maximizar a chance (e não de garantir 100%) de você comprar na baixa e vender na alta.

7.

Quem aplicou R$ 10 mil na poupança dez anos atrás e não mexeu no dinheiro, hoje tem R$ 20.235. Já quem investiu o mesmo na NTN-B Principal, um título do Tesouro Direto, está com R$ 36.690, já descontado o IR.

VERDADE. A conta está feita, nem tem muito o que explicar. Se quiser conferir os dados, pode entrar nos balanços e estatísticas do Tesouro Direto.

8.

Os brasileiros guardam hoje mais de R$ 600 bilhões na poupança, apesar de esta ser uma aplicação ruim em comparação com títulos públicos que são tão seguros quanto.

VERDADE. O estoque da poupança hoje está hoje em R$ 660 bilhões.

9.

Mais de 2 milhões de pessoas hoje guardam acima de R$ 50 mil na poupança. Cada uma delas está deixando de ganhar pelo menos R$ 1,5 mil por ano, em comparação com o Tesouro Selic, um papel conservador do Tesouro Direto.

VERDADE. No total, 2,7 milhões de pessoas tinham uma conta com R$ 50 mil ou mais na poupança em 2014 (dado publicado mais recente).

10.

Existem hoje cerca de 2.000 produtos de investimento no Brasil disponíveis para pessoas físicas.

MENTIRA! Existem pelo menos 15 mil produtos financeiros diferentes no mercado mercado brasileiro.

 

Como saber o que é verdade no mercado financeiro

É tanta coisa que parece mentira nesse nosso mercado financeiro…

Na minha opinião, o que mais parece mentira é a quantidade de dinheiro destinada a títulos de capitalização. A chance de ser sorteado é baixíssima. Vale muito mais a pena apostar na Quina ou na Megasena, onde a chance também é baixa, mas o “investimento” é bem menor.

Outro ponto interessante é que ser cliente Prime, Personnalité, Estilo ou Select não garante que você vai ter os melhores investimentos. Nada menos que 70% dos títulos do Tesouro Direto renderam mais do que os melhores fundos desses bancos.

Se você quer saber o que é verdade e o que é mentira no mercado, como evitar perdas e aproveitar as oportunidades, você pode participar dos cursos e das sessões de “tira-dúvida” promovidas pelo blog Dinheiro pra Viver. Para ser avisado das próximas turmas, clique aqui para cadastrar seu e-mail.

Share on FacebookShare on LinkedIn

Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.