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Talvez você já saiba que o Tesouro Direto é um excelente investimento.

Para quem prioriza risco baixo, ele traz uma rentabilidade bem maior que a da poupança e supera também muitos fundos de investimento de renda fixa.

Aliás, uma pesquisa do Dinheiro pra Viver mostrou que 70% dos títulos do Tesouro Direto renderam mais do que os melhores fundos dos grandes bancos, inclusive aqueles das categorias “premium”, como Prime, Personnalité, Estilo e Select.

Porém, existem também outras opções no mercado que são de renda fixa, são seguras e rendem ainda mais que o Tesouro Direto: os títulos privados, como CDB, LCI e LCA.

Tesouro Direto vs títulos privados

Veja abaixo a expectativa de rendimento líquido para quem investir R$ 50 mil em Tesouro Selic, que é um título público, e em títulos privados de alta rentabilidade:

TítuloApós 1 anoApós 2 anosApós 5 anos
Tesouro SelicR$ 4.374R$ 9.527R$ 28.229
CDB banco MáximaR$ 5.008R$ 11.500R$ 35.762
LCI - banco PineR$ 5.132R$ 10.913-
LCA - banco DaycovalR$ 5.046R$ 10.769-

Repare que, no prazo de um ano, a LCI do banco Pine tende a render R$ 758 a mais do que o Tesouro Selic.

Se o prazo for de dois anos, a vantagem esperada do título privado (o CDB do banco Máxima) sobre o público é de quase R$ 2.000.

Já para quem pode aguardar cinco anos sem mexer no dinheiro, o CDB analisado tende a gerar R$ 7.500 a mais do que o Tesouro Selic. As projeções foram feitas pela ferramenta Yubb.

Mas veja também a liquidez

Sobre a tabela acima só falei do retorno esperado. Mas deixei ali a informação de que os títulos privados selecionados não têm liquidez diária, ou seja, se você quiser resgatar antes do prazo, pode perder dinheiro.

Essa é uma grande desvantagem daqueles títulos privados em comparação com o Tesouro Selic – no caso deste, você pode fazer o resgate a qualquer momento, sem que isso gere perda de rentabilidade.

Se a gente for pegar os títulos privados com liquidez diária, aí a rentabilidade já não é tão grande assim.

Por exemplo, um dos CDBs com liquidez diária mais rentáveis atualmente é o do banco Intermedium. Se você investir R$ 50 mil nesse papel e resgatar daqui a um ano, tende a ter um rendimento de R$ 4.500. Já se aplicar no Tesouro Selic, como indica a tabela acima, o rendimento tende a ficar quase igual, em cerca de R$ 4.400.

Resumindo: eu não investiria, hoje, em um título privado com liquidez diária. Se é para render quase igual a um título público, fico com o título público. Agora, se for sem liquidez diária, eu investiria (na verdade, já invisto).

Qualquer título privado serve?

Não. Normalmente os mais rentáveis são aqueles dos bancos médios. Os CDBs, LCIs e LCAs dos grandes bancos em geral apresentam rentabilidade menor.

Caso você fique em dúvida, faça o seguinte: entre em um site comparador de títulos, como Yubb, o Jurus ou o Renda Fixa, veja quais são os títulos privados com maior rentabilidade e pergunte ao gerente do seu banco se ele tem papéis similares.

Se for para investir em um título privado com baixa rentabilidade, melhor ir para o Tesouro Direto mesmo.

Os riscos do título público e do privado

Nos títulos privados a rentabilidade tende a ser sempre maior do que nos títulos públicos, como reforçam os exemplos já citados neste post.

Isso ocorre porque o risco de investir em títulos privados é maior. A probabilidade de o governo dar calote é menor do que a de um banco.

Logo, os bancos têm que oferecer uma remuneração maior para valer a pena para o investidor. Fosse a mesma remuneração, todo mundo ia preferir o título público, menos arriscado.

E os bancos menores, então, precisam remunerar melhor ainda seus investidores. Por isso eles oferecem rentabilidades bastante agressivas.

A garantia do FGC para títulos privados

Talvez você pense: “E se eu investir em no CDB de um banco X e ele for à falência? Eu perco o dinheiro?”

Até R$ 250 mil, o seu dinheiro está garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Se o banco falir, o FGC lhe paga o que o banco lhe deve, até esse valor.

Mas se você tiver investido mais do que isso no banco falido – digamos, R$ 280 mil – o FGC vai lhe pagar R$ 250 mil, e os R$ 30 mil restantes talvez você nunca mais recupere. Possivelmente o caso ficará na Justiça por anos.

Sobre a garantia do FGC, vale acrescentar que ela pode levar 60 para cair na sua conta, a partir da data em que o banco foi à falência.

Como escolher?

Você vai ver que existem muitos títulos públicos e privados, cada um com as suas características, seus riscos e suas promessas de rentabilidade.

Para tirar suas dúvidas, você pode participar de uma das sessões de tira-dúvidas organizadas pelo Dinheiro pra Viver.

Diferentemente do gerente do seu banco, os consultores que participam das sessões não têm vínculo com nenhuma instituição financeira. Portanto, têm o interesse em indicar o que é melhor para você, não para o banco.

Para ser avisado das próximas sessões de tira-dúvida, cadastre-se gratuitamente clicando aqui.

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.