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Sabia que o seu banco ganha bem mais quando você investe em algum fundo – mesmo que não renda nada – do que quando aplica em Tesouro Direto?

Vou explicar com dados reais.

Quando você investe no Tesouro Direto, os grandes bancos cobram no máximo 0,5% ao ano.

Já quando você aplica em fundos, é muito raro eles cobrarem uma taxa de administração menor do que 0,5%.

Se tem dúvida, pergunte ao seu gerente agora mesmo: “Qual é o fundo de renda fixa com menor taxa de administração que você tem para mim hoje?” E veja se ele tem algo abaixo de 0,5%. Caso tenha, ele vai exigir um investimento inicial alto, provavelmente acima de R$ 200 mil.

É por isso que os bancos insistem tanto para que você aplique ao menos parte do seu dinheiro em fundos de investimento. Porque assim eles ganham mais – e você, menos.

Isso para não falar que muitas corretoras têm taxa zero para o Tesouro Direto. Mas nem vou entrar nesse mérito agora.

Veja quanto você está dando para o banco

Sempre que você quiser saber quanto dinheiro você está dando para o banco por meio de um fundo, basta pegar a quantia investida e multiplicar pela taxa de administração. O resultado vai ser o quanto você paga anualmente.

Se você tem R$ 50 mil em um fundo com taxa de 2%, você está pagando R$ 1.000 ao ano para o banco (50.000 x 2% = 1.000).

Mas vamos aos dados reais.

Veja quanto os bancos faturaram nos últimos 12 meses em cima de quem investiu R$ 50 mil em fundos de baixo risco.

Itaú

AplicaçãoTaxa de adm (ao ano)Rent. (12 meses)Ganho do bancoGanho do cliente
Itaú Super RF2,5%11,20%R$ 1.250R$ 5.600
Personnalité Maxime RF1,0%12,98%R$ 500R$ 6.490
Tesouro Selic0,5%13,66%R$ 250R$ 6.829

Explicando a tabela, quem há um ano investiu R$ 50 mil no fundo Itaú Super RF pagou R$ 1.250 para o banco e ficou com R$ 5.600 (sem descontar o Imposto de Renda).

Já quem aplicou a mesma quantia no Tesouro Selic pagou somente R$ 250 para o Itaú e teve um rendimento de R$ 6.829.

Para esta tabela, selecionei um fundo com taxa de administração alta e um com taxa baixa. No caso, este com taxa baixa é para clientes Personnalité. Veja que mesmo este cobra mais e rende menos que o Tesouro Direto.

Aqui estou comparando apenas fundos de baixo risco com o título de mais baixo risco do Tesouro Direto. Os mesmos critérios foram aplicados para os demais bancos, nas tabelas abaixo.

Banco do Brasil

AplicaçãoTaxa de adm (ao ano)Rent. (12 meses)Ganho do bancoGanho do cliente
BB Renda Fixa 5002,0%11,79%R$ 1.000R$ 5.893
BB RF LP Premium Estilo0,7%13,51%R$ 350R$ 6.755
Tesouro Selic0,5%13,66%R$ 250R$ 6.829

No Banco do Brasil, quem aplicou R$ 50 mil no fundo BB Renda Fixa 500 deixou R$ 1.000 com o banco e teve um rendimento de R$ 5.893 (sem descontar o IR).

Ou seja, o banco faturou quatro vezes mais do que se ele tivesse investido no Tesouro Direto. Em contrapartida, o investidor teve um rendimento que foi R$ 1.000 a menos do que se tivesse apicado no título público.

Bradesco

AplicaçãoTaxa de adm (ao ano)Rent. (12 meses)Ganho do bancoGanho do cliente
FIC Mais Renda Fixa2,0%11,62%R$ 1.000R$ 5.810
Poder Público DI0,9%12%R$ 450R$ 6.165
Tesouro Selic0,5%13,66%R$ 250R$ 6.829

Santander

AplicaçãoTaxa de adm (ao ano)Rent. (12 meses)Ganho do bancoGanho do cliente
FIC Renda Fixa Simples2,2%10,96%R$ 1.100R$ 5.480
Max Renda Fixa1,5%12,32%R$ 750R$ 6.160
Tesouro Selic0,5%13,66%R$ 250R$ 6.829

Caixa Econômica Federal

AplicaçãoTaxa de adm (ao ano)Rent. (12 meses)Ganho do bancoGanho do cliente
FIC Executivo RF LP1,1%12,21%R$ 550R$ 6.105
FIC Investidor RF LP12,71%12,71%R$ 425R$ 6.355
Tesouro Selic0,5%13,66%R$ 250R$ 6.829

E os fundos que renderam 20%?

Talvez você tenha notado no seu banco alguns fundos que renderam cerca de 15% ao ano, 20% ou até um pouco mais.

Mas esses fundos são de risco um pouco mais alto do que aqueles das tabelas acima. São fundos que reúnem papéis pré-fixados.

Tais fundos não podem ser comparados com o Tesouro Selic, que é um título pós-fixado de baixíssimo risco. Eles têm que ser comparados com títulos como o Tesouro IPCA+, que chegou a render mais de 50% em 12 meses.

Mas por que tanta gente perde tanto dinheiro?

Não faz sentido um banco cobrar uma taxa acima de 1% ao ano só para pegar o seu dinheiro e comprar títulos públicos.

Mas é isso que muitos fundos fazem: pegam o seu dinheiro, aplicam em títulos públicos e cobram uma taxa. Sendo que você poderia aplicar no Tesouro Direto a custo zero, dependendo da corretora.

E por que tanta gente desperdiça dinheiro pagando taxas de administração desnecessariamente altas?

Arrisco dizer que é porque as pessoas não sabem que não existe consultoria financeira grátis.

Elas acreditam em tudo o que o gerente do banco diz. Acham que, se o gerente ou o “consultor” que representa o banco indicou um investimento, é porque é bom. Não sabem que existe um conflito de interesses e que isso tem um custo.

Como parar de perder dinheiro

No fundo, o que as tabelas acima mostram é o custo de você não ter acesso a uma opinião independente sobre investimentos.

Veja que com apenas R$ 50 mil investidos é possível desperdiçar mais de R$ 1.000 por ano.

Os multimilionários não caem nessa porque contratam escritórios de consultores ou planejadores financeiros independentes. São os chamados “family offices”. Os ricos pagam para ter uma opinião isenta sobre seus investimentos.

Pagam porque sabem que isso é mais barato e mais transparente do que confiar na “consultoria” gratuita oferecidas pelas instituições financeiras.

Para tornar acessível a consultoria financeira independente, o blog Dinheiro pra Viver organiza sessões de “tira-dúvida” com profissionais qualificados e sem vínculo com instituições financeiras.

Em vez de você contratar um consultor e pagar mais de R$ 300 a hora, nós reunimos um pequeno grupo de interessados, em que cada um paga uma fração desse valor, e assim podem tirar dúvidas com profissionais independentes e qualificados.

Além da sessão de “tira-dúvida”, o Dinheiro pra Viver organiza cursos ensinando como tomar uma decisão de investimento, ministrado por consultores independentes, e envia uma newsletter semanal por e-mail.

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.