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Seguindo a série sobre quanto juntar para viver de renda, aqui vou falar para quem quer gastar somente os juros do seu investimento, deixando o principal intocado.

Sim, porque existem formas diferentes de viver de renda.

> Uma é montar uma reserva e ir gastando-a aos poucos, ao longo de décadas. Nesse caso, sua reserva vai ficando cada vez menor, mas você faz um cálculo para que ela dure por toda a sua vida.

> Outra é partir para a renda variável. Comprar ações para ganhar não só com a valorização dos papéis mas também, na aposentadoria, com os dividendos.

> E uma terceira é esta que vou falar hoje, em que você para de trabalhar e gasta apenas os juros das suas aplicações de renda fixa, de modo que a reserva se mantenha do mesmo tamanho ao longo da sua vida.

Antes que eu me esqueça: qualquer que seja o seu caso, conheça e evite os dois erros de cálculo de quem busca independência financeira.

Cenário 1: simples e seguro

No primeiro cenário, vamos calcular quanto juntar para viver de juros com o máximo de segurança possível. Ou seja, investindo no Tesouro Direto.

Vamos pegar aqui o papel chamado Tesouro IPCA+, novo nome da NTN-B (Nota do Tesouro Nacional Série B).

Veja quanto você precisa investir nesses papéis, dependendo de quanto você quer poder gastar por mês.

Para gastar por mês...Você precisa ter uma reserva de...
R$ 2.000R$ 538.841
R$ 5.000R$ 1.347.104
R$ 10.000R$ 2.694.207
R$ 15.000R$ 4.041.311

[Esta tabela tomou como referência o título Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e vencimento em 2050, que hoje está rendendo inflação mais 5,24%. A alíquota de Imposto de Renda considerada foi de 15%, que incide sobre aplicações com mais de dois anos.]

Por que o Tesouro IPCA+?

Por que estou usando o IPCA+ como exemplo de papel de baixo risco?

Primeiro, porque é um título público. A chance de um calote da dívida pública é sempre menor que um da dívida privada.

Em segundo lugar, porque esse papel se caracteriza por remunerar sempre acima da inflação.

Por exemplo, hoje o Tesouro IPCA+ 2050 com juros semestrais está rendendo 5,24% acima da inflação. Se a inflação for de 10% no ano que vem, esse papel vai render os 10% e mais 5,24%.

E esse rendimento de 5,24% ao ano você vai receber em dinheiro, semestralmente. Se você tem R$ 1 milhão nesses títulos, a cada seis meses vão cair na sua conta bancária cerca de R$ 22,3 mil, já descontado o IR de 15%.

Tudo o que você vai precisar fazer é pegar esse dinheiro e gastar. A sua reserva vai continuar intacta, na forma de título público, e poderá ser resgatada integralmente, corrigida pela inflação, na data de vencimento.

Mas é importante saber que, se você quiser resgatar antes do vencimento, aí pode ser que tenha alguma perda, que não dá para prever. Então pode ser o caso de pegar algum papel com data de vencimento mais próxima. 

Cenário 2: retorno e risco maiores

Para quem aceita correr um pouco mais de risco, é possível montar uma carteira com títulos públicos e privados, bem como fundos de investimento com taxas de administração baixas.

Mas, claro, quem aceita correr risco deve estar preparado para alguma perda, se for o caso.

Na tabela abaixo usei apenas títulos privados. Veja quanto você precisa investir nesses papéis para viver de juros.

Para gastar por mês...Você precisa ter uma reserva de...
R$ 2.000R$ 433.324
R$ 5.000R$ 1.083.309
R$ 10.000R$ 2.166.619
R$ 15.000R$ 3.249.928

Para viver com R$ 5.000 por mês hoje, você precisa ter uma reserva de aproximadamente R$ 1 milhão.

Note que neste post estamos falando sempre de rendimento real, ou seja, acima da inflação.

Se formos falar de rendimento nominal, aquele que aparece na tabela de rentabilidade dos bancos, o mesmo R$ 1 milhão deve render 11,3% nos próximos 12 meses, o que dá cerca de R$ 10.000 por mês.

Só que você não pode gastar esse dinheiro porque, desses R$ 10.000, R$ 5.000 são apenas reposição da inflação.

[Na estimativa, foi considerada uma inflação de 4,5% ao ano e um CDI de 9,8% ao ano nos próximos dois anos.]

Como montei essa carteira

Esta simulação considera que você investiu 80% da carteira em CDBs sem liquidez que pagam 119% do CDI e 20% em CDBs com liquidez diária que pagam 101% do CDI. Atualmente, é possível encontrar esse retorno em bancos médios.

A desvantagem deste segundo cenário em relação ao primeiro é que é mais difícil administrar o dinheiro dessa forma. Aqui eu fiz uma simulação bem simples. Criei uma carteira com proporção 80-20.

Na prática, vale a pena montar essa proporção de acordo com a sua necessidade. Nem todo mundo vai precisar colocar 20% da carteira em um ativo de liquidez diária.

Não compare com sua carteira atual

Se você já tem dinheiro investido, não compare estas simulações com a rentabilidade passada da sua carteira. Porque nos próximos 12 meses, as aplicações de renda fixa vão render bem menos.

O CDI nos últimos 12 meses foi de 13,45%. No cenário que montei, estou prevendo um CDI de 9,8% ao ano nos próximos dois anos. Este número eu não escolhi aleatoriamente. Ele é mediana das projeções de mais de 100 instituições financeiras para a taxa Selic. Como o CDI costuma ser muito próximo à Selic, usei esse indicador como fonte.

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.