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Não sei se você sabe, mas alguns títulos do Tesouro Direto podem ter rendimentos altíssimos algumas vezes, comparáveis aos melhores momentos da Bolsa de Valores.

Porém, os mesmo papéis outras vezes podem ter rentabilidade negativa e fazer o investidor perder muito dinheiro.

Quando mostrei para meu amigo Caio Cezar Mayer alguns dados sobre títulos públicos ele se mostrou tão surpreso que resolvi escrever sobre isso.

A rentabilidade altíssima ou negativa pode ocorrer com quase todos os 10 papéis do Tesouro Direto, exceto um, o chamado Tesouro Selic (antiga LFT – Letra Financeira do Tesouro).

O segredo para entender isso é o seguinte: títulos públicos pós-fixados (na verdade o Tesouro Selic é o único) nunca têm rentabilidade negativa, mas também nunca têm essas rentabilidades espetaculares como os papéis prefixados.

Vamos aos números.

A rentabilidade espetacular do Tesouro IPCA+

No período de março de 2016 a fevereiro de 2017, o título chamado “Tesouro IPCA+ 2035” (antiga NTN-B – Nota do Tesouro Nacional Série B) teve uma rentabilidade acumulada de 64,97%. Confira na tabela abaixo, extraída do site do Tesouro. 

Rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto em fevereiro de 2017

Se descontarmos o Imposto de Renda, o ganho desse papel fica 53,6%. Veja: um ganho líquido de 53,6% em apenas 12 meses! Quem investiu, digamos, R$ 10.000 nesses papéis nesse período ganhou nada menos do que R$ 5.360. Aplicou R$ 10.000 e ficou com R$ 15.360 um ano depois.

Se alguém aplicou R$ 50 mil, após um ano já estava com R$ 76.800. Ganhou mais de R$ 26 mil em um ano sem precisar fazer nada. E com um investimento de renda fixa. Não é fantástico? Eu acho.

E o prejuízo do mesmo título público

Mas também, como eu disse, esses papéis podem gerar perdas em momentos ruins. Em 2013, este mesmo título, o Tesouro IPCA+, teve uma rentabilidade negativa de 33,04%. Ou seja, quem aplicou R$ 10 mil no início daquele ano encerrou 2013 com menos de R$ 6.700. E quem aplicou R$ 50 mil, acabou ficando com menos de R$ 34 mil, ou seja, teve uma perda de mais de R$ 16 mil em 12 meses. 

Vale dizer que você só tem essa perda se vender o título. Se carregá-lo até a data de vencimento, ele vai render exatamente o que estava previsto no ato da compra.

Quanto rendeu o Tesouro Direto em 2013

Repare na tabela acima que o Tesouro Selic, que é o único papel pós-fixado do Tesouro Direto, foi um dos poucos com rentabilidade positiva em 2013, de 8,11%. Está na última linha da tabela, ainda com seu antigo nome, LFT.


O quadro atual

Nos últimos meses, os títulos públicos prefixados voltaram a ficar negativos, como mostra a tabela abaixo, também do site do Tesouro.

Quanto rendeu o Tesouro Direto em maio de 2017

Por que alguns títulos variam tanto

Nessa altura, talvez você esteja pensando: se os títulos do Tesouro Direto são investimentos de renda fixa, por que variam tanto assim? E mais: como lidar com isso, na minha carteira de investimentos, no meu dia a dia?

Vamos começar pela primeira pergunta. Por que esses papéis variam tanto?

Ora, os títulos públicos são, sim, papéis de renda fixa. Porém, no caso dos prefixados, a rentabilidade só é previsível quando você carrega o título até a data de vencimento.

Por exemplo, na tabela abaixo, também do site do Tesouro, está escrito que o papel chamado Tesouro Prefixado 2020 tem uma taxa de 8,93% ao ano. (Tabela de 20/07/2017; a atualizada está aqui). 

Tesouro Direto: preços e taxas dos títulos em 20/07/2017

Ele é um papel prefixado, ou seja, assume o compromisso de pagar a você, investidor, esta exata taxa de rendimento: 8,93% ao ano, chova ou faça sol.

Não  importa se o Banco Central aumentar a taxa básica de juros (a Selic) ou se a reduzir. Você receberá 8,93% ao ano em qualquer cenário.

Agora pense o seguinte: se você comprar esse papel hoje, e amanhã o Banco Central resolve aumentar a taxa básica de juros, digamos, de 10% ao ano para 15% ao ano, você ficaria feliz?

Se o BC aumentar a Selic, significa que vai emitir novos títulos no mercado usando como referência a nova Selic, de 15%. E você quando comprou o seu título, vai continuar ganhando os seus 8,93%, até a data de vencimento, porque ele é prefixado.

Aí você vai querer vender os seus títulos, para comprar no mercado os papéis que rendem mais. Mas e aí, quem vai querer comprar de você? Quem vai querer um título que paga 8,93% ao ano, se é possível conseguir títulos quem rendem cerca de 15%? Ninguém!

Então, você vai tentar se desfazer do seu título e não vai conseguir. Ou melhor, na verdade vai, mas por um preço mais baixo do que aquele que você pagou. É por isso que, quando a Selic sobe mais que o esperado, os títulos prefixados têm rentabilidade negativa.

(Mas veja que se você carregar ele até a data de vencimento, nada muda; você receberá exatamente os 8,93% ao ano que estavam previstos.)

Em compensação, o inverso também acontece. Se amanhã a taxa Selic cair, digamos, para 5%, o preço do título prefixado que você comprou hoje vai disparar. Claro, com os novos papéis pagando 5% no mercado, todo mundo vai querer comprar um que pague 8%!

Aqui dei como exemplo o papel chamado Tesouro Prefixado, mas isso vale também para o título Tesouro IPCA+. Este papel rende sempre o IPCA (índice de inflação) e mais uma taxa prefixada. Então ele também rende mais quando a Selic cai mais que o esperado, e rende menos quando ela sobe mais que o esperado.

Ótimo, e o que eu faço com tudo isso?

Bom, a primeira coisa é ter consciência de como o seu patrimônio pode aumentar ou diminuir caso você invista em um título prefixado do Tesouro.

Tendo esse conhecimento, você vai precisar entender qual é a sua disposição a correr riscos, e assim montar a sua carteira.

Em breve, farei um webinar (aula ao vivo online) gratuito, explicando quanto é possível ganhar com investimentos de renda fixa. Explicarei os títulos públicos e privados e darei dicas de como escolher os papéis e também de como escolher a sua corretora.

Para receber aviso quando abrirem as inscrições, basta preencher o formulário abaixo. Informe os dias e horários da sua preferência e com base nas respostas pretendo escolher o que for melhor para a maioria.


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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.

2 Replies to “Por que o Tesouro Direto já rendeu 64% em um ano e agora está negativo?

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