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Quando as pessoas descobrem que o CDB, LCA ou LCI do banco delas tem uma rentabilidade ridiculamente baixa em comparação com bancos menores, normalmente elas têm duas reações.

Primeiro, ficam impressionadas por terem ficado até agora sem saber que os investimentos delas rendem pouquíssimo.

Conforme simulações de investimento que fiz em outro post, aplicando R$ 1.000 por mês em um CDB de um banco grande, ao final de 30 anos você tende a acumular cerca de R$ 400 mil a menos do que se investisse em um papel de um banco médio.

Depois de ficarem impressionadas com isso, as pessoas costumam perguntar: “Mas esses bancos são de confiança? Será que eles não vão quebrar?”

Perguntar isso está certíssimo porque, de fato, os bancos pequenos e médios pagam uma rentabilidade maior justamente oferecerem, em tese, maior risco do que os grandes conglomerados financeiros.

Mas não é só por isso que os bancos grandes pagam um rendimento menor aos seus clientes. Eles pagam pouco porque a imensa maioria dos correntistas (ainda) não sabe que existe a opção de investir em papéis de bancos médios, que pagam muito mais.

Então, existem muitas oportunidades nos bancos médios e pequenos a serem explorada.

Vou explicar aqui tudo o que pode acontecer com o seu dinheiro caso você invista em um CDB, LCA ou LCI de um banco pequeno ou médio.

1. O que acontece se o banco quebrar

Se você investir em um CDB, LCA ou LCI de um banco e ele quebrar, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai pagar o que o banco está te devendo, desde que esse valor não passe de R$ 250 mil.

Caso o banco lhe deva, digamos, R$ 400 mil, o FGC vai pagar R$ 250 mil. Para tentar recuperar os demais R$ 150 mil provavelmente você vai ter que entrar na Justiça, e mesmo assim talvez nunca mais veja o dinheiro.

Por isso é importante distribuir os seus investimentos em diferentes bancos.

Aí você pensa: “Bom, então eu vou aplicar no máximo R$ 250 mil no CDB de um único banco”.

Não! Está errado. Porque depois de um mês você já vai ter mais do que R$ 250 mil, e esse excedente o FGC não vai cobrir.

Outra coisa: a garantia do FGC é por banco. Se você tiver R$ 200 mil no CDB e mais R$ 200 mil em LCA de um mesmo banco, e este for liquidado ou sofrer intervenção (ou seja, quebrar), o FGC só vai cobrir R$ 250 mil.

2. Em quanto tempo você recebe o dinheiro se o banco quebrar

Nas vezes em que o FGC precisou cobrir as dívidas dos bancos, os clientes demoraram, em média, 90 dias para receber o dinheiro.

Isso quer dizer que, se você está aplicando em uma reserva de emergência, um CDB pode ser arriscado. Vai que você precisa do dinheiro justamente depois que o banco quebrou e o FGC ainda não pagou!

Para reserva de emergência, então, é mais indicado o Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto que é mais seguro do que os CDBs de bancos médios. O Tesouro Selic não tem garantia do FGC justamente porque é mais seguro.

3. O FGC sempre tem dinheiro para pagar os bancos?

Historicamente, ainda não ocorreu de o FGC não conseguir honrar os valores cobertos. Desde 1995, quando foi criado, ele já foi acionado 34 vezes e garantiu o pagamento de mais de 4 milhões de pessoas.

Os recursos do FGC correspondem a 2% de todos os depósitos que têm garantia. Talvez pareça pouco, mas esse percentual tem referência internacional. Nos EUA, o FDIC, órgão garantidor de depósitos, também tem recursos para 2% do total de depósitos cobertos.

Em 1997, sete bancos quebraram, entre eles o Bamerindus, e o FGC deu conta.

É possível que em alguma situação extrema o FGC não tenha como pagar tudo o que deveria? Bom, não se pode dizer que é impossível. Porém, o que aconteceu nos EUA

4. O que fazer se investi no CDB de um banco que está para quebrar?

Se você está com medo porque investiu em um banco e surgiriam rumores de que ele não vai bem, podem acontecer três coisas:

  • O banco de fato quebrar. E nesse caso o FGC vai cobrir até R$ 250 mil por CPF, em determinadas aplicações (aqui a lista completa das aplicações que o FGC garante); ou
  • O banco ser comprado por um maior. Nesse caso, a tendência é que nada aconteça com o seu dinheiro e você receba o seu retorno no momento previsto.
  • O banco não quebrar e o seu CDB continua lá, bonitinho. 

5. Existe algum outro risco de investir em CDB, LCA e LCI?

Sim. Além do risco de crédito, ou seja, de o banco não pagar, existem outros, mas aí independe se o banco é grande ou pequeno.

Se você investe em um CDB, LCA ou LCI prefixado, existem esses outros dois riscos:

  • A inflação subir mais que o previsto, e dessa forma ela vai corroer parte do seu ganho (ou todo ele).
  • As taxas Selic e CDI subirem mais que o previsto. Caso isso ocorra, você vai continuar recebendo o que foi previsto (já que o investimento é prefixado). O rendimento da sua aplicação não vai subir junto com as outras taxas.

Caso você invista em um título pós-fixado, o risco é de a taxa CDI cair, pois os papéis privados pós-fixados seguem essa taxa.

Por isso é bom diversificar. Não colocar só em títulos prefixados nem só em pós-fixados. Assim, você dilui os seus riscos, além de melhorar a relação risco-retorno.

Como investir em um CDB, LCA ou LCI que não é o do meu banco?

Considerando que você já sabe que os títulos privados rendem mais quando eles são de bancos pequenos, e considerando também que você já está ciente de que eles têm mais risco de calote, mas também contam com a cobertura do FGC, você pode ter decidido investir parte do seu dinheiro em um desses papéis.

Para isso, provavelmente você vai precisar abrir conta em um corretora independente do seu banco. Sim, porque os grandes bancos não costumam oferecer títulos de outros bancos.

Na próxima aula, vou explicar quais são os riscos de escolher uma corretora errada e os passos que você precisa seguir para escolher a que melhor vai atender as suas necessidades. 

Para quem cai neste artigo por acaso, deixa eu contextualizar. Este post é a terceira aula do um curso relâmpago (e gratuito) “Como escolher um CDB, LCA e LCI”.

O curso tem quatro aulas, sendo que cada uma é um artigo no blog. As aulas são as seguintes:

Aula 1: Quanto você ganha se escolher direito seu CDB, LCA ou LCI

Aula 2: Descubra em 1 minuto se seu CDB, LCA ou LCI rende bem

Aula 3: Quais são os riscos de investir em um CDB, LCA ou LCI (este artigo)

Aula 4: Como escolher uma corretora para investir em renda fixa

As aulas 1 e 2 já têm o link acima. Para receber por e-mail a quarta e última aula, basta preencher o formulário abaixo. (Obs: se você já se inscreveu na aula 1 ou 2, não é preciso se cadastrar no formulário abaixo).


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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.

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