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Por Sílvio G. Crespo

Existe uma lista imensa de coisas que o seu banco ou a sua corretora não tem interesse em que você saiba.

Isso ocorre porque o lucro das instituições financeiras não depende diretamente da rentabilidade dos seus clientes. Muito menos de o cliente alcançar ou não seus objetivos financeiros.

Os fundos de investimento, por exemplo, têm taxas sobre o valor total que você investe, independentemente do resultado que você tenha. Se um fundo tem uma taxa de 1% ao ano, e ficar com rentabilidade negativa ou muito baixa, você vai pagar o 1% do mesmo jeito.

Não estou dizendo se é certo ou errado o modelo de negócio das instituições financeiras.

O ponto é que existe um conflito de interesses no mercado. Quem não conhece esse conflito acaba perdendo dinheiro (ou deixando de ganhar) sem perceber.

Vou colocar aqui as três informações fundamentais que qualquer pessoa precisa ter para começar a investir de acordo com os seus próprios objetivos, não os do seu banco ou corretora.

1. Todo mundo que atende você no banco ou corretora é vendedor

As pessoas que atendem você em qualquer instituição financeira são vendedoras.

Seja o gerente do banco, o assessor da corretora, o “consultor” particular para clientes premium…

Não importa. Todos eles têm a função de convencer os clientes a investirem nos produtos que geram mais ganhos para o banco ou corretora. E tais produtos não necessariamente geram mais ganhos para o cliente, e não necessariamente são os mais indicados para os objetivos do cliente.

O assessor de investimentos da sua corretora, por sinal, nem sequer pode ser chamado de consultor. É proibido exercer as atividades de consultor e de agente autônomo de investimentos ao mesmo tempo. Se seu assessor da corretora der consultoria para você, ele pode (e deve) ter seu registro cassado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O assessor da sua corretora ganha dinheiro de acordo com os investimentos que você escolhe. Por exemplo, se você aplicar em um fundo de previdência, ele vai ganhar muito mais do que se você aplicar no Tesouro Direto, e isso independe qual dos dois rende mais ou qual dos dois é mais adequado para você.

É errado ser vendedor? Claro que não! Errado é achar que o vendedor está oferecendo uma consultoria ou assessoria gratuita.

O importante é saber que o vendedor do seu banco ou corretora está ali para ajudar você a tirar suas dúvidas sobre os produtos e investimentos que ele vende. Assim como um vendedor de carros está ali para dar informações sobre os veículos da concessionária dele.

Mas não espere que um vendedor da Fiat indique a você um Volkswagen, e vice-versa. Também não espere que ele recomende andar só de Uber em vez de comprar um carro.

Da mesma maneira, não espere que o assessor da sua corretora ou o gerente do seu banco diga qualquer um dos outros dois itens que você vai ler abaixo.

2. Bancos e corretoras ganham mais com fundos do que com aplicações que podem ser melhores para você

Os bancos e corretoras ganham muito mais dinheiro quando você aplica em um fundo de investimento do que quando você investe em títulos públicos e privados.

Muitas corretoras, aliás, não cobram taxa para você investir em Tesouro Direto, CDB, LCA, LCI e outras aplicações.

Ora, e como elas ganham dinheiro? Elas só ganham se você começar a investir em fundos, ações ou quaisquer produtos que tenham taxas.

A taxa zero das corretoras serve para atrair novos clientes. Uma vez que você abre a sua conta e investe no Tesouro sem pagar nada, a corretora precisa que você, em algum momento, passe a aplicar em algum ativo que tenha taxas.

Isso quer dizer que investir no Tesouro Direto, em CDB, LCA, LCI e outras aplicações é sempre melhor do que aplicar em um fundo? Não. Nem sempre. Depende do caso.

O ponto é que, sendo ou não melhor para você, a tendência é que o banco ou corretora prefira que você invista em um fundo, seja ele um fundo de investimentos comum ou um fundo de previdência.

3. Fundos de previdência rendem menos que o CDI

Se as instituições financeiras ganham mais com fundos de investimento em geral, com fundos de previdência privada elas ganham ainda mais, pois seu dinheiro tende a ficar aplicado por mais tempo.

Além disso, diversos fundos de previdência têm não apenas taxa de administração, como também taxa de carregamento.

Já o Tesouro, CDB, LCA e LCI, em diversas corretoras não têm taxa nenhuma.

Seria “ok” se os fundos de previdência tivessem taxas altas, mas também rentabilidade alta. Porém, uma pesquisa mostrou que somente 3% deles rendem mais que o CDI.

E hoje é tão fácil encontrar investimentos que rendem acima do CDI…

Como saber qual é o melhor investimento?

Se os interesses do banco e da corretora nem sempre coincidem com o seu, como saber qual é o melhor investimento?

Das duas, uma: ou você pergunta a alguém que entenda do assunto e seja independente (sem vínculo com nenhuma instituição financeira) ou aprende a tomar decisões por conta própria.

Hoje, um consultor financeiro independente cobra cerca de R$ 300 a hora, o que inviabiliza, para a maioria das pessoas, o acesso a informações imparciais sobre investimentos.

Por esse motivo, estou formatando um curso para capacitar as pessoas a investirem seu dinheiro de acordo com os objetivos delas próprias.

Não tenho vínculo com nenhuma instituição financeira justamente para manter a autonomia e a integridade do conteúdo do curso.

Para receber aviso quando abrirem novas turmas, basta preencher o formulário abaixo. Será um prazer ter você na próxima turma!


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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.

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