Share on FacebookShare on LinkedIn

Por Sílvio G. Crespo

O que é melhor: investir em um CDB ou no Tesouro Direto?

Para responder essa pergunta, a primeira coisa que você precisa saber é que não se pode comparar qualquer CDB (Certificado de Depósito Bancário) com qualquer título do Tesouro.

Existem basicamente três tipos de títulos do Tesouro Direto (e não tem problema se você não conhece esses termos). São eles:

  • O prefixado;
  • O pós-fixado; 
  • O indexado à inflação.

Os CDBs também podem ser classificados dessa forma. Já vou explicar a diferença, mas o importante, por enquanto, é saber que cada um desses três tipos tem um risco diferente. Logo, desempenha um papel diferente na carteira de investimentos de uma pessoa.

O ideal é só comparar um CDB prefixado com um título do Tesouro que também seja prefixado. Só comparar CDB pós com Tesouro pós; e CDB indexado, só com Tesouro indexado.

Se você não conhece os conceitos de prefixado, pós-fixado e indexado, vai conhecer daqui a pouco.

Neste artigo você vai ver:

  • Os riscos do CDB e do Tesouro Direto
  • Comparações
    • CDB Pós-fixado versus Tesouro Selic
    • CDB pré-fixado versus Tesouro Prefixado
    • CDB indexado à inflação versus Tesouro IPCA+
  • Como escolher onde investir

Mas antes, precisamos falar sobre riscos.

Os riscos do CDB e do Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto são títulos públicos, emitidos pelo governo. Os CDBs são títulos privados, emitidos pelos bancos. Em tese, títulos privados têm risco de calote (“risco de crédito”, na linguagem técnica) mais alto do que títulos públicos.

Por quê? Porque o governo é quem emite a moeda. Logo, se um dia o governo ficar sem dinheiro, pode emitir moeda e pagar o que deve.

No entanto, não há consenso no mercado de que os CDBs são mais arriscados. Primeiro porque, se um banco grande quebrar, o governo provavelmente vai intervir de alguma forma.

Em segundo lugar, os CDBs são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Se você investir no CDB de um banco pequeno ou médio e ele quebrar, o FGC paga o que banco te deve, desde que esse valor não ultrapasse R$ 250 mil.

Resumindo: o risco de calote de um CDB é maior ou, na melhor das hipóteses, igual ao de um título público. Sendo assim, se um CDB e um título do Tesouro estiverem com a mesma rentabilidade, eu sempre vou no título público.

Existem também outros riscos envolvidos, além do calote. No Tesouro Direto, cada título tem um risco diferente. No caso do CDB, o pós-fixado e o prefixado têm riscos diferentes, como explico abaixo.

Comparações entre CDB e Tesouro

Vamos fazer agora as comparações entre o CDB e o Tesouro Direto. Primeiro vamos comparar pós com pós; depois, pré com pré; e finalmente, indexado com indexado.

1. CDB pós-fixado versus Tesouro Selic

Um investimento pós-fixado é aquele em que, no momento em que você aplica, não sabe quanto ele vai render, mas sabe que ele vai seguir um determinado indicador financeiro.

Por exemplo, sempre que você ouvir falar que um CDB paga 90% do CDI, 100% do CDI ou X% do CDI, é porque o CDB é pós-fixado.

Você não sabe quanto ele vai render. Só sabe que o rendimento dele será uma porcentagem do CDI, que é um indicador financeiro.

No Tesouro Direto, o título pós-fixado se chama Tesouro Selic. Isso porque ele acompanha a Selic, que é a taxa básica de juros da economia, determinada pelo Banco Central.

A tabela abaixo mostra quanto rendeu o Tesouro Selic nos últimos dez anos. Fiz uma comparação com três CDBs: um de 90%, um de 100% e um de 114% do CDI.

Tipo de investimentoRendimento acumulado líquido (%)Retorno líquido de uma aplicação de R$ 50 mil
Tesouro Selic158%R$ 128.959
CDB a 90% do CDI158%R$ 128.866
CDB a 100% do CDI175%R$ 137.629
CDB a 114% do CDI200%R$ 149.897
Inflação no período (IPCA)83%R$ 91.312

Veja que o CDB a 90% do CDI rendeu quase o mesmo que o Tesouro Selic. Quem investiu em um CDB desse tipo correu um risco de calote igual ou maior do que se tivesse aplicado no Tesouro, para ter uma rentabilidade igual. Não vale a pena.

Por outro lado, quem aplicou R$ 50 mil em um CDB de 114% do CDI ganhou R$ 20 mil a mais do que quem investiu a mesma quantia no Tesouro Selic, no mesmo período. Como é raro existir CDB de 10 anos, o cálculo considerou como se uma pessoa investisse duas vezes em um CDB de cinco anos. 

A última linha da tabela corresponde à inflação acumulada no período. Isso quer dizer que, há 10 anos, R$ 50 mil tinham um poder de compra equivalente a R$ 91 mil hoje.

Para concluir essa comparação:

  • O CDI rende um pouco mais que a taxa Selic;
  • Logo, um CDB que rende 100% do CDI tende a ter um rendimento um pouco maior que o do Tesouro Selic.

Vale reforçar, como eu disse em outra ocasião, que se um CDB está rendendo o mesmo que um título do Tesouro, não tenho dúvida: prefiro muito mais o título do Tesouro.

Por isso, só invisto em CDB pós-fixado se ele estiver pagando mais do que 100% do CDI.

E agora um detalhe importante: confira sempre se o CDB tem liquidez diária ou não. Se tiver significa que você pode resgatar a qualquer momento. Se não tiver, você só pode resgatar na data de vencimento.

O Tesouro Selic sempre tem liquidez diária. Logo, se um CDB sem liquidez diária estiver pagando a mesma taxa que o Tesouro Selic, mais uma vez eu não tenho dúvida: vou no Tesouro Selic.

Uma sugestão: só invista em um CDB sem liquidez diária se você tiver certeza de que não vai precisar resgatar antes da data do vencimento. Se não, você pode perde dinheiro.

2. CDB prefixado vs Tesouro Prefixado

Um investimento prefixado é aquele em que você, no momento de aplicar, sabe exatamente quanto ele vai render.

A tabela abaixo foi extraída do site do Tesouro Direto e mostra o rendimento dos títulos chamados “Tesouro Prefixado”.

Rentabilidade dos títulos do tipo 'Tesouro Prefixado', do Tesouro Direto

Veja que no título Tesouro Prefixado 2020 está escrito que ele vai render 8,56% ao ano. Isso quer dizer que, se você investir nele, vai receber exatamente esse percentual de rendimento (antes de descontar Imposto de Renda e taxas).

Se a taxa Selic subir para 15% ao ano, você vai continuar recebendo os 8,56%. Se cair para 1% ao ano, você seguirá recebendo os mesmos 8,56%.

Um CDB prefixado segue a mesma lógica. Se a rentabilidade contratada é de 8% ao ano, então ele vai pagar essa taxa, não importa o que aconteça com a Selic, o CDI ou qualquer outro indicador financeiro.

Quando a gente fala de investimentos prefixados, já sabe exatamente quanto eles vão render. Por isso, em vez de mostrar um histórico, vou mostrar quando vão render, de fato, alguns CDBs e o título Tesouro Prefixado 2020.

Tipo de investimentoTaxa de rendimento ao ano (bruta)Retorno líquido de uma aplicação de R$ 50 mil
Tesouro Prefixado 20208,53%R$ 60.523
CDB pré do banco Fator9,21%R$ 61.411
CDB pré do banco BMG9,26%R$ 61.477
CBD pré do banco Fibra9,40%R$ 61.661

Veja que os CDBs dessa tabela estão rendendo um pouco mais do que o título do Tesouro. É assim mesmo. Se são títulos privados emitidos por bancos médios, têm que render mais porque o risco de calote é maior.

Na coluna da direita da tabela foi feita uma adaptação. O título Tesouro Prefixado tem vencimento em janeiro de 2020. Já os CDBs listados têm vencimento em setembro de 2019. Então, na última coluna, os números se referem ao retorno que esses papéis dariam continuassem até janeiro de 2020 com a mesma taxa de rendimento.

Quem aplicar R$ 50 mil no Tesouro Prefixado, em 2020 terá R$ 60. 523, já descontado o Imposto de Renda. Já quem aplica no CDB do banco Fator, o mais rentável dessa lista, teria R$ 61.411, caso o papel se estendesse até 2020. 

3. CDB indexado à inflação vs Tesouro IPCA+

Falamos sobre títulos prefixados, pós-fixados e agora falaremos sobre os indexados à inflação.

Os papéis indexados à inflação são os que fixam um rendimento acima da inflação.

Por exemplo, o título do Tesouro Direto indexado à inflação se chama Tesouro IPCA+, pois IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil.

Na tabela abaixo, também tirada do site do Tesouro, você vê que existem 6 títulos do tipo Tesouro IPCA+.

Rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto chamados 'Tesouro IPCA+'

O primeiro da lista, que vence em 2024, está pagando inflação mais 4,84% ao ano. Isso quer dizer que, se a inflação for de 1%, ele vai render cerca de 6%. Já se ela for de 10%, ele vai render cerca de 15%.

Os CDBs indexados à inflação seguem a mesma lógica. Vamos ver agora quanto eles estão rendendo na prática.

Quem investir no Tesouro IPCA+ com vencimento em 2024 terá um rendimento de 4,84% ao ano. Já quem aplicar em um CDB com vencimento daqui a cinco anos poderá ter uma rentabilidade de XX% ao ano, conforme a tabela abaixo.

Tipo de investimentoTaxa de rendimento (bruta)Retorno líquido estimado de uma aplicação de R$ 50 mil
Tesouro IPCA+ 2024Inflação + 4,78%R$ 69.329
CDB do banco BMG6,25%R$ 76.431

Aqui a gente vê uma diferença bem grande entre o título público e o privado. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2024 está rendendo a inflação e mais 4,78%. Já um CDB do banco BMG está rendendo inflação mais 6,25%.

Mais uma vez, fiz uma adaptação nos dados para poder comparar. O título público, no caso, tem vencimento em 2024, enquanto o CDB tem vencimento em 2023. Assim, no cálculo do retorno, considerei como se o CDB fosse até 2024.

Isso posto, notamos que aplicando R$ 50 mil no CDB selecionado o investidor terminaria com um total de R$ 76.432, mais a correção da inflação. Já uma aplicação no título público daria R$ 7 mil a menos ao final do período.

Afinal, em qual desses devo investir?

Nesse texto, você viu que a gente tem que comparar sempre pré com pré, pós com pós e indexado à inflação com indexado à inflação.

Mas talvez esteja se perguntando: “Afinal, em qual desses eu devo investir?”.

Isso vai depender do seu perfil de risco.

Lembra que o prefixado e o indexado à inflação levam vantagem caso a taxa básica de juros (Selic) caia? Então, se você acha que ela vai cair mais do que o esperado, deve investir em prefixado ou em indexado à inflação.

Já se você acha que, até o vencimento, ela vai subir, deveria investir em pós-fixado.

Agora, se você, como eu, acredita que não dá para prever o futuro e não quer especular sobre o futuro da política econômica do país, então o ideal é diversificar. Aplicar parte do seu dinheiro em títulos públicos, parte em títulos privados; parte em pós, parte em pré e parte em indexado à inflação.

Além do CDB, existem outros títulos privados que costumam render acima do Tesouro Direto. Existem aplicações de renda fixa com rendimento de até 245% do CDI, mas são bem mais arriscadas.

Existe também, claro, a renda variável. Hoje já existem ferramentas que facilitam muito o controle de risco de ativos de renda variável, como ações, derivativos e bitcoins.

O seu sucesso ao investir depende apenas de você criar uma carteira de aplicações que, juntas, respeitem o seu perfil de risco e maximize as chances de você atingir seus objetivos.

Estou preparando um curso para ensinar as pessoas a investirem de acordo com as necessidades delas. Para receber aviso quando abrir a primeira turma, basta preencher o formulário abaixo.

Aproveite e conte o que você mais gostaria de aprender em um curso como esse, ou qual problema você espera que o curso te ajude a resolver.

Será um prazer receber você na primeira turma!


Share on FacebookShare on LinkedIn

Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.