Share on FacebookShare on LinkedIn

Por Mariana Rodrigues

Quem procura um investimento vai encontrar com frequência a sigla CDI (Certificado de Depósito Interbancário), entre muitas outras, em suas pesquisas e nos títulos oferecidos pela corretora ou banco.

Não saber o que o significa CDI gera insegurança na hora de investir e, consequentemente, leva a escolhas erradas.

Sabia que quem investe R$ 1.000 em CDB todo mês, e escolhe bem, tende a ganhar no longo prazo R$ 400 mil a mais do que quem escolhe mal?

Por isso coloquei aqui as respostas para algumas dúvidas frequentes que ouvimos por aí. Veja se você se identifica!

1. “O que significa uma aplicação render 90% do CDI, 100%, 120% do CDI etc?”

Se alguém falou para você que um investimento rende 100% do CDI, significa simplesmente que o rendimento dele é idêntico ao CDI, que é uma média da taxa de juros que os bancos cobram quando emprestam dinheiro uns para os outros.

Logo, se você investe em uma aplicação que rende 100% do CDI, você vai ganhar o mesmo que os bancos ganham quando emprestam para outros bancos, antes de descontar o Imposto de Renda e outros custos.

Aplicações de renda fixa que têm o rendimento atrelado a um índice são as chamadas pós-fixadas. Ou seja, o rendimento delas varia conforme o índice (ou indexador) tenha alta ou baixa no futuro.

No caso do CDI (também chamado de “Taxa DI – Depósito Interfinanceiro”), alguns títulos prometem render acima do índice, ou seja, mais do que 100% do CDI; outros oferecem rentabilidade abaixo do CDI – por exemplo 90% do CDI.

Escolher bem ou mal um investimento referenciado no CDI pode fazer diferença no final do seu investimento. A tabela abaixo mostra projeção de rendimento de uma aplicação de R$ 50 mil em três CDBs diferentes:

Tipo de aplicaçãoValor investidoRendimento líquido em 24 meses
CDB (110% do CDI)R$ 50.000R$ 6.762
CDB (100% do CDI)R$ 50.000R$ 6.126
CDB (90% do CDI)R$ 50.000R$ 5.495

Os dados da tabela foram extraídos do Ranking Renda Fixa Macro 3ª Edição.

2. Existe rendimento acima de 130% do CDI?

É importante tomar cuidado quando se vê uma aplicação com rendimento acima de 130% do CDI – ou mesmo acima de 120%.

Uma coisa é um investimento prometer pagar 120% do CDI. Aí estamos falando de uma aplicação de renda fixa pós-fixada. Você investe em um CDB e está lá, no contrato, que ele vai pagar 100% do CDI, 120% do CDI etc.

Outra coisa é uma corretora anunciar que uma aplicação qualquer rendeu 120%, 130%, 200% do CDI no passado.  

Quem anunciou isso simplesmente está dizendo que a aplicação acabou rendendo o equivalente a 200% do CDI, mas não que essa foi a rentabilidade contratada.

Veja que, na maioria dos casos, os anúncios que usam números muito altos de porcentagem do CDI se referem a aplicações de risco alto. Ou seja, a pessoa investiu em uma aplicação que poderia ter rendido 0% do CDI, ou -50% do CDI, mas acabou rendendo 200% do CDI.

Resumindo: se alguém disser a você que uma aplicação rende um percentual muito alto do CDI, pergunte se essa é a rentabilidade contratada, ou se só aconteceu de o investimento render tudo isso no passado, sem garantia nenhuma de se repetir.

3. “Como é calculado o CDI?”

A sigla CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Ela representa uma média da taxa de juros que os bancos cobram ao emprestar uns para os outros.

A taxa que eles pagam é registrada pela Cetip – uma espécie de mediadora do setor financeiro – que faz um cálculo e divulga o resultado diariamente como “Taxa DI” (de Depósito Interfinanceiro, conhecido ainda como CDI).

A taxa DI costuma ser próxima da Selic, que por sua vez é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central.

Mas para saber qual a rentabilidade de um investimento em CDI você não precisa entender de matemática, apenas colocar os dados do título na calculadora abaixo para ter o resultado calculado pela Cetip:

4. “Quais aplicações usam o CDI como referência?”

A Taxa DI ou CDI pode ser referência para o rendimento dos seguintes investimentos:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário)
  • Fundos DI (fundos com patrimônio em renda fixa)
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
  • Debêntures (títulos corporativos)

Note que esses são os títulos que podem ser referenciados DI, mas isso não é obrigatório. Existem também CDBs com rendimento prefixado, por exemplo. Se for prefixado, ele pode ter uma rentabilidade estabelecida em, digamos, 9% ao ano, em vez de render uma porcentagem do CDI.

5. “Como investir no CDI?”

Na verdade, tecnicamente não existe “investir no CDI”. A gente investe em aplicações que usam o CDI como referência. São aquelas listadas na pergunta 4 (acima).

O CDI ou Taxa DI é um indexador para os investimentos de renda fixa. Ele serve apenas para calcular qual será o rendimento de um título.   

Outras taxas também podem servir como indexador, como a Selic (taxa básica de juros) ou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que representa a inflação), usados  nos títulos do Tesouro Direto. Então, não se investe em CDI da mesma forma que não se investe em Selic ou em IPCA. Investe-se, sim, em títulos indexados ao CDI, à Selic ou ao IPCA.

Afinal, como saber se um investimento é bom?

O blog Dinheiro pra Viver está formando um curso para capacitar as pessoas a tomarem decisões de investimentos de acordo com os objetivos delas próprias. 

Ao final do curso, os alunos saberão quais as aplicações mais adequadas para atingirem objetivos como: montar uma reserva para aposentadoria, comprar um bem, fazer uma viagem, pagar a escola dos filhos etc.

Para ser avisado quando abrirem novas turmas, basta preencher o formulário abaixo!


Share on FacebookShare on LinkedIn

Mariana Rodrigues

Jornalista formada pela Universidade Metodista com especialização em economia pela Fipe.