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Por Sílvio G. Crespo

O rendimento das aplicações de baixo risco devem cair a praticamente zero nos próximos meses, descontada a inflação.

A poupança, que já estava fraca, tende a render apenas 5% nos próximos 12 meses. Considerando que a inflação deve ficar em 3,7%, o rendimento real (descontada a inflação) da poupança deve ser de 1,25% no período.

Esta é uma das conclusões do Ranking Renda Fixa Macro 3ª Edição, elaborado pelo economista Pedro Raffy Vartanian, e por mim, Sílvio Crespo, em parceria com o Estadão.

O ranking compara as aplicações de mais baixo risco existentes no Brasil: a poupança, o Tesouro Selic (título mais conservador do Tesouro Direto), o CDB e os fundos de investimento de renda fixa do tipo DI.

A tabela abaixo foi tirada da página 15 do ranking.

AplicaçãoRetorno previsto (nominal)Retorno previsto,
a preços de hoje
PoupançaR$ 2.100R$ 2.025
Fundo DIR$ 2.093R$ 2.019
Tesouro SelicR$ 2.112R$ 2.037
CDB (90% do CDI)R$ 2.104R$ 2.029
CDB (100% do CDI)R$ 2.116R$ 2.041
CDB (110% do CDI)R$ 2.128R$ 2.052

Ela pode ser lida da seguinte forma: aplicando R$ 2.000 na poupança hoje, daqui a 12 meses você deverá ter R$ 2.100 na conta, conforme mostrado na segunda coluna.

Porém, daqui a 12 meses esses R$ 2.100 já vão valer um pouco menos do que hoje, devido à
inflação. Mais precisamente, eles vão valer o equivalente ao que são R$ 2.025 hoje, como indica a terceira coluna da tabela.

Todos os números do estudo já descontam o Imposto de Renda e as taxas de cada aplicação. Então é o ganho líquido mesmo.

Forte queda na rentabilidade

Para você ter uma ideia de como caiu a rentabilidade das aplicações, em 2016 a poupança rendeu 8,3% em termos nominais (sem descontar a inflação) e 1,89% em termos reais (descontada a inflação).

Já o Tesouro Selic teve um rendimento de 11,36%, já descontado o IR. Descontada também a inflação, o rendimento real do Tesouro Selic foi de 4,77%. Nos próximos 12 meses, a projeção é de que o rendimento seja de apenas 1,85%, conforme a tabela abaixo.

AplicaçãoRentabilidade líquida real em 2016Rent. líq. real nos próx. 12 meses
Poupança1,89%1,25%
Tesouro Selic4,77%1,85%
CDB (90% do CDI)3,84%1,47%
CDB (100% do CDI)5,00%2,03%
CDB (110% do CDI)6,17%2,58%

O que fazer diante da queda da rentabilidade nas aplicações de baixo risco?

A resposta dessa pergunta depende de qual é o seu objetivo ao aplicar o dinheiro.

As aplicações de baixo risco existem para a gente guardar dinheiro, não para lucrar com rendimentos exorbitantes.

No mercado financeiro, funciona assim: quanto maior a expectativa de retorno, maior o risco.

Em outras palavras: quanto mais dinheiro você pode ganhar, mais você pode perder.

Nas aplicações de baixo risco, por definição, você tem poucas chances de perder muito. Logo, tem também poucas chances de ganhar muito.

Então você pode fazer como eu: deixar em aplicações de baixo risco apenas aquele dinheiro que você não pode perder. As suas reservas de emergência são um exemplo.

Ou um valor que já está comprometido. Por exemplo, se você está reformando a sua casa e sabe que vai ter que desembolsar uma quantia X nos próximos seis meses. Você não vai deixar esse dinheiro em uma aplicação de risco médio ou alto. Já imaginou se você tem uma rentabilidade negativa e depois fica sem dinheiro para pagar o seu pedreiro ou arquiteto? Aí vai ficar chato.

Então, sendo um dinheiro que você não pode perder de jeito nenhum, ainda vale a pena deixar em aplicações de baixo risco.

Veja que nenhuma das aplicações mencionadas no estudo tende a render abaixo da inflação nos próximos 12 e 24 meses. Deixando o dinheiro em qualquer uma dessas aplicações, a chance de você perder poder de comprar é mínima.

E o dinheiro que NÃO é de emergência?

Se você tem algum dinheiro que é para investir mesmo, um dinheiro do qual você com certeza não vai precisar tão cedo, e você está disposto a buscar uma rentabilidade maior, você tem basicamente duas opções: aumentar o prazo do investimento ou o risco.

Um exemplo de aumentar o prazo é procurar aplicações sem liquidez diária. Aquelas em que você aplica o seu dinheiro e só pode retirar em uma data específica (data de vencimento).

Normalmente, aplicações sem liquidez diária rendem mais. Mas isso não é uma regra absoluta. Por exemplo, você pode conseguir um CDB de um banco médio com liquidez diária que pague 100% do CDI, enquanto um CDB de um banco grande pode eventualmente pagar 90% do CDI e nem ter liquidez.

Até que ponto vale a pena se arriscar?

Aqui dei um exemplo de aumentar o prazo para ter mais rentabilidade. Outra forma, como eu disse, é aumentar o risco.

Dependendo dos seus objetivos, deixar parte do dinheiro em ações de empresas que paguem bons dividendos pode ser mais útil, neste momento, do que em aplicações de renda fixa.

Outra possibilidade é investir em ações para ganhar com a valorização delas. O famoso comprar na baixa e vender na alta.

Você nunca vai ter 100% de certeza de que vai comprar uma ação na baixa e vender na alta, mas existe uma forma de aumentar muito a chance conseguir fazer isso. É o chamado “rebalanceamento de carteira”. Que, apesar do nome, é uma coisa fácil de aprender.

Também existem os fundos imobiliários, os chamados fundos de índice (ou ETF, em que você investe ao mesmo tempo nas principais ações da Bolsa de Valores) e os fundos multimercado.

Cada um desses tipos de investimento tem o seu nível de risco, os seus prós e contras.

Isso para não falar dos robo-advisors, como a Magnetis, a Vérios, o Warren e a Monetus, que procuram montar uma carteira para você, de acordo com o seu nível de tolerância a riscos.

Enfim, são muitas as opções no mercado:

  • Tanto para quem quer se arriscar mais, como para quem quer se arriscar menos;
  • Tanto para quem quer estudar o mercado de verdade, e para quem quer pensar o mínimo possível.

O negócio é conhecer as opções e identificar quais delas são melhores para você.

Mas qual é o melhor investimento para o seu caso?

Estou formatando um curso justamente para capacitar as pessoas a escolherem, entre as diversas opções de investimento, aquelas que aumentam mais as chances de elas atingirem seus objetivos financeiros e de vida.

Para ser avisado quando abrirem novas turmas, preencha seus dados no formulário abaixo. Veja que eu pergunto ali qual é o seu maior desafio para escolher investimentos. Quanto mais você detalhar a sua resposta, melhor eu vou conseguir incluir no curso as informações necessárias para solucionar o seu problema.

Então preencha um formulário, e será um prazer encontrar você na próxima turma!


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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.