Share on FacebookShare on LinkedIn

Por Sílvio G. Crespo

O Tesouro Direto, como eu já disse várias vezes neste blog, é um excelente investimento para quem não quer correr risco de calote, pois rende mais do que outras aplicações de risco semelhante.

Assim, os títulos do Tesouro tendem a render mais do que fundos de renda fixa. Além disso, o Tesouro Selic, que é o papel mais conservador do Tesouro Direto, tende a render sempre acima da poupança.

Mas nem sempre o Tesouro é uma opção melhor do que os fundos ou até do que a poupança, pois muitas vezes existe o custo de você transferir o seu dinheiro para a conta da corretora.

Em geral, as corretoras que não cobram taxas de administração são as que não pertencem aos grandes conglomerados financeiros.

Logo, para transferir o dinheiro do seu banco para a corretora, é possível que você pague uma taxa (DOC ou TED).

Se essa taxa for alta, ela pode corroer toda a sua rentabilidade, fazendo com que você ganhe menos dinheiro do que se aplicasse na poupança.

Vamos a um exemplo passo a passo.

1. Você investe R$ 100 no Tesouro Selic

Mas o seu banco cobra R$ 9 para você transferir o seu dinheiro para a conta da corretora. Guarde esses números.

2. Após um ano, você resolve resgatar o dinheiro

Vamos dizer que o Tesouro Selic esteja rendendo 8,5% ao ano, já descontada taxa de custódia (cobrada pela B3, a antiga BM&FBovespa).

Quando você for resgatar, terá uma quantia bruta de R$ 108,50. Tirando o Imposto de Renda, ficaria com R$ 107. Tirando os R$ 9 que você pagou pela TED, ficaria com R$ 98 no fim das contas.

Resumindo: você investiu R$ 100 e, após 12 meses, ficou com apenas R$ 98. Nem a poupança nem os fundos de renda fixa DI, que hoje estão muito ruins, deixariam você em tão maus lençóis. 

Em quais casos o Tesouro vale a pena mesmo pagando TED

Vale a pena investir no Tesouro, mesmo pagando TED ou DOC, quando:

  • O valor da TED é desprezível em comparação com a quantia que você está aplicando; ou
  • Você está investindo a longo prazo, de modo que, após dois ou três anos, o rendimento do Tesouro compensa o custo que você teve com a TED.

Vamos ver este caso real:

Uma amiga minha quer investir R$ 500 por mês no Tesouro Direto e me perguntou se vale a pena pagar a TED, que é de R$ 7,50 no banco dela.

Para facilitar o cálculo, vamos dizer que ela está aplicando no Tesouro Selic, o título mais previsível do Tesouro Direto.

Se ela aplicar os R$ 500 hoje, daqui a um ano terá algo em torno de R$ 528, descontado o Imposto de Renda, conforme a tabela abaixo.

Valor aplicadoR$ 500
Rend. líq. 12 meses 5,62%
Retorno descontado o IRR$ 528

Agora, vamos descontar a taxa de custódia, que é sempre de 0,3% ao ano, não importa a corretora ou o banco.

Vamos descontar também o custo da TED, que ela terá se usar uma corretora independente. Finalmente, descontaremos a taxa de administração, que ela pagaria ao banco. No caso, o banco dela cobra 0,5% ao ano.

ItemCorretora independenteBanco
Retorno descontado o IRR$ 528,10R$ 528,10
Custo B3R$ 1,54R$ 1,54
Custo TEDR$ 7,50R$ 0,00
Taxa de administraçãoR$ 0,00R$ 2,57
Retorno líq. de IR e taxasR$ 519,06R$ 523,99

Conforme a tabela acima, em uma corretora independente, ela teria um retorno líquido ligeiramente menor. No caso, cerca de R$ 5 a menos.

Mas lembre-se de que a TED você só paga uma vez, na hora de transferir o dinheiro. Já a taxa de administração é cobrada todo ano.

O que isso quer dizer?

Que a partir do segundo ano, passa a valer mais a pena usar a corretora independente do que manter o dinheiro no banco.

Ainda mais se ela estiver investindo para a aposentadoria. Nesse caso, ela pagaria 0,5% ao ano durante, digamos, 20 anos, se continuasse no próprio banco.

Já na corretora, ela vai pagar 0% ao ano, durante esses 20 anos, e isso faz uma enorme diferença a longo prazo.

Porque a taxa não é de 0,5% sobre o rendimento, e sim 0,5% sobre o total que ela tem investido. No dia em que ela tiver R$ 100 mil, vai pagar R$ 500 por ano. Isso se ela mantiver o dinheiro no banco. Se o valor estiver em uma corretora de taxa zero, ela vai economizar esses R$ 500.

Imagine que ela atinja R$ 100 mil após dez anos de investimentos mensais. Nos 10 anos seguintes, ela vai pagar, no mínimo, R$ 500 por ano. Isso daria um custo de R$ 5.000 em uma década.

Veja: ela pagaria R$ 5.000 em taxas de administração ao banco, desnecessariamente.

Concluindo: investindo a longo prazo, vale mais a pena ir para uma corretora de taxa zero do que deixar no banco. Ainda que o custo da TED ou DOC seja alto.

Mas melhor do que isso é o seguinte:

Se a minha amiga quiser economizar ainda mais, tem uma forma.

Em vez de transferir R$ 500 todo mês para a corretora, ela pode ir aplicando no Tesouro por meio do banco dela mesmo, ao longo do ano. E após 12 meses é só pedir portabilidade dos títulos para a corretora.

Assim, ela não vai gastar R$ 7,50 por mês com TED, ou seja, R$ 90 por ano.

Nos 12 primeiros meses ela vai juntar pouco mais de R$ 6.000 (aplicando os R$ 500 por mês). Assim, a taxa de administração que pagará ao banco será inferior a R$ 30.

Concluindo, só com essa ideia de usar a portabilidade em vez de TED, ela já economiza cerca de R$ 60 por ano.

E o seu caso, leitor, como fica?

Neste exemplo, usei o caso específico de uma leitora e amiga. Com a portabilidade ela vai economizar R$ 60, e com a corretora independente, vai economizar cerca de R$ 5.000.

Mas cada um tem os seus objetivos, prazos, necessidades, perfis… Então, o que é solução para uma pessoa pode significar perda de dinheiro para outra.

Se você quiser soluções para o seu caso específico, fique atento ao treinamento que vou lançar em breve. 

Será um curso prático para capacitar as pessoas a investirem melhor e pararem de perder dinheiro com aplicações ruins ou taxas desnecessárias.

Para receber aviso por e-mail quando abrirem novas turmas, basta preencher o formulário abaixo!


Share on FacebookShare on LinkedIn

Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.