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Embora existam motivos para crer em uma disparada do bitcoin, conforme escrevi em artigo para o Estadão, vale a pena observar também os fatos que pressionam para o outro lado, ou seja, para uma queda no preço da criptomoeda.

Indo direto ao ponto, na minha visão existem ao menos dois fatos que, se ocorrerem, tendem a derrubar a cotação do bitcoin. Descrevo esses fatos abaixo.

1. Não ser negociado de forma satisfatória no mercado futuro

O preço do bitcoin subiu mais de US$ 1.500 depois que a CME (Chicago Mercantile Exchange) anunciou que iria começar a negociar contratos futuros de bitcoin ainda em 2017.

Isso trouxe uma excelente perspectiva, pois, se der certo, será um grande passo para que inúmeros investidores mundo afora entrem no mercado de bitcoin.

Por outro lado, ainda existe chance de que o mercado futuro de bitcoin não pegue, ou demore mais do que o esperado para pegar.

Assim que a CME deu a notícia, um analista fez uma observação importante. Jon West, da Omega One, afirmou em uma matéria da agência Bloomberg que, pelo fato de o bitcoin ser muito volátil (muito instável), negociar a criptomoeda no mercado futuro poderá exigir que os investidores depositem margens muito altas.

Para quem não está acostumado, no mercado futuro as pessoas negociam o preço de uma mercadoria em uma data futura. Por exemplo, se eu acho que a saca de café estará custando acima de US$ 160 daqui a um mês, posso comprar café no mercado futuro. Se, ao final do período, eu estiver errado, e o preço estiver abaixo disso (por exemplo, US$ 158), eu tenho que pagar a diferença. Para eu provar que não vou dar calote, preciso deixar uma certa quantia de dinheiro à disposição na minha corretora. Apenas para garantir que, se eu perder dinheiro na operação, vou ter como pagar. Essa quantia é chamada de “margem de garantia”.

No caso do bitcoin, como a variação de preços de um mês para o outro pode ser imensa (o valor pode dobrar ou cair à metade em um único mês), pode ser necessário que os investidores façam grandes depósitos como garantia. E se os depósitos exigidos forem grandes demais, o mercado pode não ficar atrativo para os investidores.

Esse é o ponto para o qual o analista chamou atenção. Se o bitcoin demorar muito para pegar no mercado futuro, pode haver certa frustração dos investidores, pressionando o preço da criptomoeda para baixo.

2. Não se aprimorar tecnicamente

O outro ponto que eu cito como sendo uma ameaça à valorização do bitcoin é o desafio de aprimoramento técnico da criptomoeda, pelo fato de a sua gestão ser descentralizada.

Embora a descentralização seja, por um lado, uma grande vantagem do bitcoin, ela gera, ao mesmo tempo, algumas dificuldades.

As propostas de melhorias técnicas frequentemente dividem a comunidade, de modo que existe uma dificuldade de implementar mudanças que permitam uma adoção do bitcoin em larga escala na sociedade.

Ainda, há quem aponte outras ameaças do ponto de vista tecnológico, como o computador quântico.

Não existe consenso em relação a estas duas ameaças que citei neste artigo. Eu as citei aqui apenas para dividir com os leitores o meu ponto de vista, que uso como referência para tomar minhas próprias decisões de investimento.

Espero que tenha ajudado a esclarecer os pontos positivos e negativos que eu vejo em torno do bitcoin no momento. Se quiser, veja também como eu decido quanto investir na criptomoeda.

Esse tipo de dica eu dou o tempo todo. Para receber, se inscreva no canal do Dinheiro pra Viver no Youtube e participe do grupo do blog no Facebook.

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.