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Por Sílvio Crespo

Ontem mesmo eu publiquei um artigo com a atualização do meu experimento com 20 criptomoedas. Se você não conhece a história, no último dia do ano passado eu investi R$ 500 em 20 moedas virtuais diferentes, totalizando uma aplicação de R$ 10 mil.

Até o dia 15 de janeiro de 2018, como eu disse, a carteira com as 20 criptomoedas, que chamei de Cripto20, estava com uma alta acumulada de 17%.

Mas ontem houve uma queda brutal no mercado de criptomoedas e achei por bem divulgar nova atualização hoje.

No momento em que estou escrevendo este texto, a carteira de criptomoedas que criei acumula uma queda de 23,1% em relação ao dia em que ela foi constituída (31/12/2017). No mesmo período, o bitcoin caiu 28%.

Se você não sabe exatamente o que é bitcoin, o vídeo abaixo explica em 1 minuto.

Quem conhece minha visão sabe que considero normal haver quedas desse tipo (ou até mais intensas) de vez em quando.

Enxergo as criptomoedas como ativos disruptivos, que vieram para ficar e mudar o mundo, e que, até se consolidarem, vão passar por muitos altos e baixos.

Porém, existe um componente a ser observado: enquanto as criptomoedas têm um uso prático insignificante em relação ao tamanho da economia (por exemplo, elas ainda não são viáveis para o comércio varejista), elas estão fortemente sujeitas a comportamentos de manada.

Da mesma forma como muita gente estava comprando bitcoin no final do ano passado sem saber direito por quê, sem ter clareza do tamanho da revolução que está por trás das criptomoedas, certamente existe hoje muita gente vendendo também sem saber por quê.

Como lidar com a volatilidade das criptomoedas

Se você, como eu, entende o valor que existe nas criptomoedas, já sabe que o momento não é para pânico. Alguns vão dizer até que é uma oportunidade de comprar na baixa, mas não entrarei nesse detalhe.

O importante aqui é passar o seguinte: mesmo para nós, que entendemos o valor das criptomoedas, o ideal é sempre investir de pouco em pouco.

Por exemplo, se você tem R$ 1.000 para investir em criptomoedas, não é bom investir tudo no mesmo dia. Invista R$ 100 em um dia, mais R$ 100 na semana seguinte, mais R$ 100 na outra e assim por diante.

Dessa forma, você vai adquirir a moeda pela cotação média do período. Em outras palavras, vai diluir o risco ao longo do tempo.

Investir ou não investir? Veja como eu decido

Se você já comprou criptomoedas, espero que o tenha feito ciente de que se trata de ativos de altíssimo risco.

As criptomoedas sempre estão sujeitas a terem forte queda como forte alta. Podem cair à metade de um dia para o outro, como podem dobrar o valor em um curto período.

Logo, vou reforçar aqui a pergunta que eu sempre faço a mim mesmo antes de investir é:

  • O que vai me deixar mais puto:
    • perder 100% do valor investido, se a moeda cair;
    • ou perder a oportunidade de lucrar 100%, 200% ou 1.000%, se a moeda subir?

Se a resposta for “perder 100% do valor investido” é porque eu estou destinando uma fração muito alta do meu patrimônio para as criptomoedas.

Já se a resposta for “perder a oportunidade de lucrar”, aí sim eu coloco meu dinheiro.

E quem comprou na alta?

Torço para que você tenha feito bons negócios com criptomoedas. Mas se você comprou na alta e agora não sabe se vende, recomendo fazer esta reflexão:

  • “Se eu vender agora, e daqui a um tempo a moeda disparar novamente, eu vou ficar tranquilo? Vou lidar bem com a situação? Ou vou ficar me torturando, dizendo: ‘Caramba, não devia ter vendido essa porcaria; que bobagem que eu fiz, eu sou um coitado’?”

Se você iria ficar arrependido e se torturando, talvez você esteja disposto a não vender, e continuar assumindo o risco de cair mais.

Mas é preciso pensar também o seguinte:

  • “Se eu não vender agora, e depois a moeda continuar caindo e eu perder quase 100% do valor investido, vou continuar tranquilo? Eu vou pensar: ‘Bom, eu sabia que estava sujeito a esse risco e, se não deu certo, paciência’? Ou eu vou pensar: ‘Como eu fui burro! Devia ter vendido antes!'”.

Mais uma vez, se for para você ficar se torturando caso perca todo o valor investido, então o mais provável é que você não está disposto a continuar correndo risco.

Muitas vezes, as pessoas não estão nem em um extremo e nem no outro. Você pode, por exemplo, vender parte das suas criptomoedas. Assumir que teve um certo prejuízo, mas manter um pouco do dinheiro aplicado. Assim, se subir de novo, você recupera parte das perdas. Se cair, você ao menos não perdeu mais do que estava disposto a arriscar.

Essas são dicas de como eu faço com os meus próprios investimentos. Eu nunca coloco em criptomoedas mais do que aquilo que eu toleraria perder. Afinal, é um mercado extremamente instável.

Seja qual for a decisão que você tome, desejo que ela esteja em acordo com o seu nível de tolerância a risco.

Continuarei publicando artigos sobre a evolução da Cripto20, minha carteira de criptomoedas. Por enquanto, segue abaixo a situação atual dela (a linha vermelha mostra como seria se eu tivesse investido os R$ 10 mil somente em bitcoin, em vez de diversificar).

Evolução do bitcoin e de 20 criptomoedas em janeiro de 2018

E abaixo, a tabela com a variação de preço, em reais, de cada uma das criptomoedas da carteira.

Carteira Cripto20 - Do início até 17/01/2018

CriptomoedaValor investido em 31/12/2017Valor em 17/01/2018Variação acumulada
TOTALR$ 10.000R$ 7.690-23,10%
BitcoinR$ 500R$ 360-28,04%
RippleR$ 500R$ 252-49,64%
EthereumR$ 500R$ 57014,10%
Bitcoin CashR$ 500R$ 317-36,60%
CardanoR$ 500R$ 319-36,12%
LitecoinR$ 500R$ 337-32,50%
IotaR$ 500R$ 299-40,28%
NEMR$ 500R$ 373-25,33%
DashR$ 500R$ 327-34,57%
StellarR$ 500R$ 5204,06%
MoneroR$ 500R$ 412-17,67%
EOSR$ 500R$ 56212,36%
NEOR$ 500R$ 69037,97%
QtumR$ 500R$ 291-41,80%
Bitcoin GoldR$ 500R$ 333-33,30%
VergeR$ 500R$ 171-65,81%
Ethereum ClasssicR$ 500R$ 471-5,85%
RaiblocksR$ 500R$ 359-28,15%
DecredR$ 500R$ 373-25,43%
DogecoinR$ 500R$ 353-29,32%

 

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Sílvio Crespo

Jornalista econômico e educador financeiro. Foi editor-assistente de Economia do portal do Estadão. Ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog do jornal O Estado de S. Paulo e uma vez o prêmio Case New Holland de Jornalismo, pelo blog Achados Econômicos, do UOL.

5 Replies to “O bitcoin despencou? Leia antes de entrar em pânico

  1. Interessante a segurança do bitcoin em relação as outras moedas, nesse último gráfico 11 altcoins já caíram mais que o bitcoin. O pânico é maior nas menos conhecidas. Acredito que a tendência é o bitcoin ser a que menos caia até o fim de fevereiro. A volatilidade tende a ser maior nas outras. Imagino que até 22/1/2018 a queda da Nem e Decred já seja maior que a do Bitcoin. Até o final de janeiro a queda da Ethereum Classic e Monero superem a do Bitcoin e até fevereiro a Stellar e a EOS apresentam queda maior que o Bitcoin, fico na dúvida somente na Ethereum (por ser muito usada) e na NEO. Mas acredito, mesmo tendo uma alta superior a 37%, que até final de fevereiro a NEO caia mais que o Bitcoin. A solidez do Bitcoin é muito superior as outras, talvez somente a Ethereum tenha uma queda menor até final de fevereiro, mas a chance maior é o Bitcoin, por ter mais credibilidade, também cair menos que a Ethereum, conseguindo se segurar na faixa dos 4.000 dólares.

  2. Silvio, bom dia

    Você tem alguma explicação sobre o porque da queda generalizada das criptomoedas neste momento? Poderia ser apenas que quem investiu ao longo de 2017, agora está apenas realizando os lucros? A queda do bitcoin puxa a queda das demais?

    Abraço

    1. Gilberto, a minha interpretação é de que houve muita euforia e, consequentemente, muita gente comprou sem saber direito o que estava fazendo. Quem compra sem saber por quê, vende também sem saber por quê. Ou seja, começou a subir, as pessoas compraram, e o preço disparou; começou a descer, e as pessoas venderam, e o preço despencou. As pessoas que conhecem os fundamentos das criptomoedas em geral têm mantido.

  3. Sílvio, bom dia

    Além da queda das bolsas de ontem, a notícia que saiu hoje no Jornal Valor Econômico pode indicar o motivo pelo qual as criptomoedas estão em fase de queda.

    Banco barra compra de bitcoin com cartão
    Por Jenny Surane e Laura J. Keller | Bloomberg
    Valor Econômico

    Cada vez mais grandes emissoras de cartões de crédito dos EUA estão decidindo que não querem financiar um investimento em forte queda. J.P. Morgan Chase, Bank of America (BofA) e Citigroup anunciaram a interrupção das aquisições de bitcoins e de outras criptomoedas com seus cartões de crédito. O J.P. Morgan, que colocou o veto em vigor no sábado,

    O J.P. Morgan, que colocou o veto em vigor no sábado, não quer o risco de crédito associado às transações, disse a porta-voz Mary Jane Rogers.

    O Bank of America começou a reduzir as transações de cartões de crédito com bolsas conhecidas de criptomoedas na sexta. A política se aplica a todos os cartões de crédito pessoais e comerciais, segundo um memorando, mas não afeta os cartões de débito, disse a porta-voz da empresa, Betty Riess.

    O Citigroup anunciou que também interromperá as aquisições de criptomoedas com seus cartões de crédito. “Continuaremos revendo nossa política segundo a evolução desse mercado”, disse a porta-voz da empresa, Jennifer Bombardier.

    Autorizar a compra de criptomoedas pode criar grandes dores de cabeça para os bancos, que podem acabar em situação de risco caso o tomador do empréstimo faça uma aposta equivocada e não possa pagar.

    Existe também o risco de ladrões abusarem de cartões roubados ou baseados em identidades roubadas, transformando-os em depósitos de criptomoedas.

    Além disso, os bancos são obrigados pelos órgãos reguladores a monitorar as transações dos clientes em busca de sinais de lavagem de dinheiro – o que não é tão fácil se os dólares forem convertidos em moedas digitais.

    O bitcoin perdeu mais da metade de seu valor desde 18 de dezembro, caindo ontem para menos de US$ 7.500 pela primeira vez desde novembro.

    A queda ocorreu em meio à escalada de ameaças regulatórias em todo o mundo, ao medo de manipulação de preços e à proibição do Facebook aos anúncios de criptomoedas e ofertas iniciais de moedas.

    Agora, a eliminação das compras com cartões poderia ampliar essas pressões ao dificultar a entrada dos entusiastas no mercado. A Capital One Financial e a Discover Financial Services haviam afirmado anteriormente que não dão respaldo às transações.

    A Mastercard anunciou que os volumes internacionais de sua rede – um indicador dos gastos dos clientes no exterior – aumentaram 22% neste ano, alimentados em parte pelos clientes que usaram cartões para comprar moedas digitais. A empresa alertou que a tendência já estava começando a desacelerar quando os preços das criptomoedas caíram.

    O CEO da Discover, David Nelms, desdenhou o financiamento de transações com criptomoedas em entrevista, no mês passado, observando que a posição poderia mudar dependendo da demanda dos clientes. Por enquanto, “são criminosos que estão tentando tirar dinheiro da China ou de outras partes”, disse, sobre quem tenta usar as moedas.

    1. Existem notícias que dão um impulso para cima ou para baixo no preço das criptomoedas. Mas a volatilidade não é explicada só por isso. O fato é que muitas pessoas compram porque está subindo e vendem quando está descendo. Com isso, uma notícia que poderia gerar uma pequena queda acaba gerando uma queda imensa, devido ao efeito manada. Da mesma forma, uma série de notícias que deveriam ter gerado uma pequena alta no BTC no final do ano passado acabaram fazendo o preço disparar demais.

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